6 de fevereiro de 2026

Carnaval

YOLO estreia no Carnaval do Rio e abre celebração de 10 anos ocupando Sapucaí e Lapa

Movimento negro leva sua estética e curadoria para o Folia Tropical e cria o Bloco da YOLO como manifesto de rua, afeto e pertencimento

Barbara Braga | 06/02/2026
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- Crédito: @yololoveparty | @vincerosenblatt

O Carnaval do Rio de Janeiro sempre foi uma tecnologia popular de sobrevivência, alegria e memória. Mas também sempre foi um campo de disputa: por narrativa, por visibilidade, por pertencimento e por quem tem o direito de ocupar o centro do espetáculo. Antes de ser produto turístico, o Carnaval já era corpo. Antes de ser transmissão, já era território. E, desde o início, foi a cultura preta que sustentou esse movimento nos ritmos, nas ruas, nos terreiros, nas rodas, nas baterias, nos passos, nos cantos e na criação estética que moldou o Brasil.

O samba, eixo central do Carnaval carioca, nasce das experiências negras, da diáspora, das periferias e dos quintais. Nasce também sob perseguição, criminalização e violência. A história do Carnaval, por mais que seja contada como festa nacional, carrega marcas profundas de apagamento: por décadas, a cultura negra foi celebrada como espetáculo, mas negada como autoria. A festa cresceu, virou indústria, movimentou milhões, e ainda assim a centralidade negra precisou ser repetida como afirmação, como denúncia e como lembrança.

É nesse contexto que a YOLO chega ao Carnaval do Rio em 2026 para abrir um novo capítulo da sua trajetória e, ao mesmo tempo, acionar um debate essencial: o de que a cultura preta não pode ser tratada como participação, acessório ou tendência. Ela é estrutura, é fundamento e permanência.

Reconhecida como um dos movimentos negros mais relevantes do Brasil, a YOLO escolhe o Carnaval para iniciar as comemorações de seus 10 anos por entender o que a rua sempre soube: não existe festa popular sem cultura negra. E não existe futuro para o Carnaval se a autoria preta não for reconhecida, valorizada e colocada no centro das decisões, das estéticas e das narrativas.

A estreia da YOLO no Carnaval de 2026 acontece em dois territórios simbólicos, e essa escolha é política. Na Sapucaí, o movimento ocupa o Folia Tropical, um dos camarotes mais tradicionais do desfile. Leva para a avenida sua estética, curadoria musical e visão cultural, criando um encontro que atravessa tradição e contemporaneidade: o samba e suas raízes, a celebração popular e as linguagens negras que seguem produzindo o agora.

Yolo Love Party | Vincent Rosenblatt

Mas a presença não se limita ao espaço institucionalizado do espetáculo. A YOLO também marca sua chegada onde o Carnaval pulsa com mais liberdade: na rua. O Bloco da YOLO nasce na Lapa como um gesto de pertencimento e construção de memória coletiva. Um manifesto vivo de corpo em movimento, encontro, afeto e alegria. Um convite para ocupar o espaço público com identidade e consciência, lembrando que o Carnaval não é apenas desfile: é convivência, é direito de existir.

A participação da YOLO no Carnaval 2026 acontece em dois momentos. No dia 14 de fevereiro de 2026, a YOLO ocupa o Folia Tropical, na Sapucaí. O camarote abre às 19h, e os ingressos estão disponíveis pela Ticketmaster.

Já no dia 17 de fevereiro de 2026, acontece o Bloco da YOLO, com concentração no Passeio Público, na Lapa, e programação das 16h às 4h. Para garantir o ingresso, basta clicar no link e retirar a entrada.

Entre arquibancadas e asfalto, a YOLO reafirma seu propósito: criar experiências que conectam pessoas, fortalecem a cultura periférica e ampliam os espaços de visibilidade da população negra. Em tempos em que a cultura negra é constantemente apropriada, filtrada e reembalada, ocupar o Carnaval com autonomia e narrativa própria é mais do que celebrar, é afirmar presença, permanência e protagonismo.

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Barbara Braga