6 de fevereiro de 2026

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Trump publica vídeo racista com Barack e Michelle Obama e provoca onda de repúdio nos EUA

Presidente dos Estados Unidos compartilha em rede social vídeo com imagem ofensiva que associa ex-presidente e ex-primeira-dama a macacos

Barbara Braga | 06/02/2026
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- Crédito: Mark reinstein/Truth Social/@realDonaldTrump/Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou em sua rede social, a Truth Social, um vídeo com conteúdo racista que retrata o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama como macacos. A postagem gerou uma onda de condenações por parte de autoridades, ativistas e figuras públicas, além de reabrir discussões sobre a normalização de ataques racistas no discurso político e o uso de montagens como ferramenta de radicalização digital.

O vídeo, com cerca de um minuto, repete alegações já desmentidas sobre fraude eleitoral e ataques à empresa Dominion Voting Systems. No trecho final, uma montagem rápida, com duração aproximada de um segundo, sobrepõe os rostos de Barack e Michelle Obama a corpos de macacos, em uma referência considerada explicitamente racista por especialistas e organizações de direitos civis.

Truth Social/@realDonaldTrump/Reprodução

A associação de pessoas negras a macacos é um dos estereótipos mais violentos da história do racismo moderno. Trata-se de uma imagem usada por séculos como estratégia de desumanização, com raízes no colonialismo, na escravidão e em teorias pseudocientíficas que buscavam justificar hierarquias raciais.

A publicação de Trump foi rapidamente condenada por lideranças políticas. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, classificou o conteúdo como “repugnante” e cobrou que integrantes do Partido Republicano se posicionassem. Também houve reação de aliados dos Obama, como Ben Rhodes, ex-conselheiro de segurança nacional, que afirmou que o episódio ficará registrado como uma mancha na história.

O caso ocorre em um momento em que o uso de imagens manipuladas, memes e conteúdos potencialmente gerados ou editados por inteligência artificial tem sido cada vez mais associado a estratégias de mobilização política. Nos últimos anos, pesquisadores e observadores têm alertado para a forma como plataformas digitais se tornaram terreno fértil para a circulação de desinformação, ataques raciais e discursos que reforçam estereótipos históricos.

A gravidade do episódio também se intensifica pelo simbolismo de seus alvos. Barack Obama foi o primeiro presidente negro dos Estados Unidos e, desde o início de sua trajetória nacional, esteve no centro de campanhas de deslegitimação que frequentemente carregavam elementos raciais, do questionamento de sua nacionalidade a ataques pessoais e teorias conspiratórias. Michelle Obama, por sua vez, também foi alvo recorrente de ofensas racistas e misóginas durante e após a passagem pela Casa Branca.

Até o momento, não houve retratação formal por parte da Casa Branca. O episódio segue repercutindo dentro e fora dos Estados Unidos e amplia o debate sobre responsabilidade pública, limites éticos na comunicação política e os impactos reais da desumanização racial em sociedades marcadas por desigualdade histórica.

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Barbara Braga