13 de outubro de 2026

Música

THAMI lança “Relevuras” e mistura neo soul, R&B e MPB em reflexão sobre as marcas da vida

Com dez faixas inéditas, cantora aposta em sonoridade orgânica que mistura neo soul, R&B e MPB para refletir sobre as marcas que permanecem nas relações, nas escolhas e na forma de existir

Barbara Braga | 13/10/2026
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- Crédito: @oficialthami

Nem toda experiência termina quando chega ao fim. Algumas permanecem na memória, atravessam relações e continuam influenciando a maneira como sentimos, escolhemos e nos relacionamos com o mundo. É a partir dessa reflexão que THAMI apresenta “Relevuras”, álbum de dez faixas inéditas que reúne participações de Luedji Luna e Rashid em uma sonoridade que aproxima neo soul, R&B, soul music e MPB.

Produzido por Duda Raupp, Shimodara, Marcelo Delamare e Julio Mossil, o projeto propõe um olhar sobre as marcas deixadas pelas experiências e sobre como elas podem mudar de significado ao longo do tempo. Em vez de tratar a transformação como o apagamento do passado, a artista investiga o que acontece quando aquilo que vivemos passa a fazer parte de quem somos.

“Percebi que algumas experiências não acabam, elas apenas mudam de forma. Continuam operando nas nossas escolhas, nos afetos e na maneira como seguimos vivendo. Relevuras nasce dessa percepção. Não é sobre superar, mas sobre compreender que muitas marcas deixam de ser feridas e passam a fazer parte de quem somos”, afirma THAMI.

A reflexão atravessa o álbum e orienta suas escolhas musicais e visuais. Com direção artística assinada pela própria cantora, “Relevuras” conecta sonoridade, composição e identidade visual em torno de temas como memória, permanência e transformação.

Uma sonoridade que preserva a presença humana

Em um cenário musical no qual recursos digitais fazem parte de grande parte das produções, THAMI escolheu construir o álbum a partir de uma abordagem orgânica. Bateria, sopros, guitarras, baixos e outros instrumentos foram gravados separadamente em estúdio, preservando a expressividade das performances e a identidade de cada arranjo.

A escolha não é apenas técnica. Ela acompanha a proposta conceitual do disco, que busca valorizar nuances, sensações e aquilo que permanece mesmo depois de uma experiência mudar de forma.

“Eu não queria um disco excessivamente digital ou distante da experiência humana. As músicas precisavam respirar. Por isso buscamos preservar a verdade das interpretações e dos instrumentos em cada etapa da gravação. Era importante que cada performance mantivesse essa sensação de presença”, explica a artista.

O resultado aproxima diferentes referências da black music e da música brasileira, transitando entre as texturas do neo soul, a expressividade do R&B, a tradição da soul music e elementos da MPB. A combinação cria espaço para que as interpretações e os instrumentos ocupem um lugar central, sem deixar de lado a contemporaneidade da produção.

Luedji Luna e Rashid ampliam os encontros do álbum

As participações de Luedji Luna e Rashid aparecem em momentos distintos do projeto e ampliam os diálogos propostos por THAMI.

Em “Fiquei Assim”, a cantora divide os vocais com Rashid. Já em “Prisioneira de Mim”, recebe Luedji Luna, artista baiana cuja trajetória tem importância em sua formação musical.

A colaboração com Luedji foi construída ao longo do tempo. Depois de conhecer o trabalho de THAMI no álbum anterior, acompanhar o show de lançamento e receber a canção que deu origem ao encontro, a cantora passou a integrar o novo projeto.

Para THAMI, a presença da artista vai além de uma participação especial e carrega um significado pessoal.

“A presença da Luedji representa muito mais do que uma participação especial. Ela faz parte da minha formação como artista e da forma como eu penso música. Essa colaboração surgiu de um lugar muito verdadeiro e afetivo”, conta.

A conexão entre as duas artistas também reforça a importância dos encontros na construção de trajetórias musicais. Referências, admiração e trocas artísticas podem atravessar diferentes fases de uma carreira e ganhar novos sentidos quando se transformam em criação compartilhada.

Com Rashid, “Fiquei Assim” amplia esse diálogo ao aproximar a escrita e a presença do rapper da atmosfera musical construída ao longo do álbum.

A narrativa de “Relevuras” também ganha forma nas imagens

A proposta do disco não se limita às músicas. “Relevuras” também se desdobra no audiovisual, com direção criativa de Guile Farias, fotografia de Gabryel Sampaio e visualizers dirigidos por Vitor Barbosa.

As imagens exploram textura, movimento e contraste para expandir a identidade do projeto e criar uma experiência que acompanha sua investigação sobre as marcas deixadas pelo tempo. Assim, o conceito se manifesta não apenas nas letras e nos arranjos, mas também na maneira como o álbum se apresenta visualmente.

Ao assumir a direção artística, THAMI aproxima essas diferentes dimensões em uma obra que procura manter coerência entre aquilo que canta, a forma como a música é construída e as imagens que acompanham o lançamento.

Um disco sobre o que permanece

Em “Relevuras”, THAMI propõe uma reflexão sobre experiências que não desaparecem, mas encontram outras formas de existir. Memórias, afetos e marcas deixam de ser apenas lembranças de algo que passou e passam a integrar a maneira como cada pessoa se reconhece e segue adiante.

A proposta desloca a ideia de transformação como ruptura definitiva. Em vez de apagar o que aconteceu, o álbum abre espaço para compreender como experiências difíceis, encontros e mudanças podem adquirir novos significados com o tempo.

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Barbara Braga