7 de outubro de 2026

Política

Parlamentares negros eleitos em 2026: veja quem chega ao Congresso

De Erika Hilton a Miss Preta, passando por Anielle Franco, Jones Manoel e Vilma Reis, as eleições de 2026 levaram ao Congresso e às assembleias estaduais lideranças que ajudam a redesenhar a presença negra nos espaços de poder.

Barbara Braga | 06/10/2026
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Mulheres negras protagonizam avanços

Um dos aspectos mais marcantes das eleições de 2026 foi a presença de mulheres negras entre os principais nomes eleitos para o Legislativo brasileiro.

Em São Paulo, foram eleitas para a Assembleia Legislativa Paula da Bancada Feminista, Ediane Maria, Monica das Pretas, Duda Hidalgo, Débora Camilo, Thainara Faria e Keit Lima. Já para a Câmara dos Deputados, Erika Hilton conquistou uma das votações mais expressivas do país, enquanto Sônia Guajajara garantiu uma cadeira federal, ampliando a presença de lideranças historicamente sub-representadas.

Na Bahia, Maria Marighella e Olivia foram eleitas deputadas federais, enquanto Vilma Reis, uma das vozes mais reconhecidas do movimento negro brasileiro, conquistou uma vaga na Assembleia Legislativa.

Outros destaques femininos incluem Luisa Cela (CE), Jack Rocha (ES), Ana Elisa e Dandara (MG), Carol Dartora (PR), Rosa Amorim (PE), Anielle Franco e Talíria Petrone (RJ), além de Daiana Santos (RS).

Nas assembleias estaduais, também conquistaram espaço Camila Valadão e Açucena (ES), Cricielle Muniz (MA), Andreia de Jesus, Iza Lourença, Leninha e Ana Paula Siqueira (MG), Jô Oliveira (PB), Dani Portela (PE), Verônica Lima, Renata Souza, Dani Monteiro e Dani Balbi (RJ), Karen Santos (RS), Keka Bagno (DF), Lívia Duarte (PA), Divaneide Basílio (RN) e Fátima Cleide (RO).

Homens negros mantêm presença em diferentes estados

Entre os homens negros eleitos para a Câmara dos Deputados estão Perpétua Almeida (AC), Antonio Brito, Marcio Marinho, Pastor Sargento Isidório, Sandro Filho e Valmir Assunção (BA), Josivaldo JP (MA), Dr. Damião (PB), Dr. Francisco (PI), Luis Carlos Gomes, Pastor Henrique Vieira e Rick Azevedo (RJ), além de Mattheus Gomes (RS).

Em Pernambuco, a eleição de Jones Manoel chamou atenção por representar a chegada de uma nova geração de lideranças negras ao Congresso Nacional.

Nas assembleias estaduais, foram eleitos Douglas Garcia, Barba e Lisboa (SP), Kleber Rosa (BA), João Paulo Lima e Vinicius Castello (PE), além de Max Maciel (DF).

Lideranças negras LGBTQIA+ ampliam presença institucional

As eleições de 2026 também reforçaram a presença de pessoas negras LGBTQIA+ nos espaços de decisão.

O principal símbolo desse movimento é Erika Hilton, reeleita deputada federal por São Paulo com uma votação histórica. Ao lado dela, nomes como Dani Balbi (RJ) e Keka Bagno ajudam a ampliar a diversidade de experiências representadas nos parlamentos brasileiros.

Marcos históricos das eleições de 2026

Alguns resultados têm peso histórico para além do número de votos.

No Paraná, Miss Preta tornou-se a primeira deputada estadual negra da história da Assembleia Legislativa paranaense, um marco para um estado que historicamente registra baixa representação negra em seus espaços institucionais.

Com mais de 115 mil votos, Renato Freitas (PT) tornou-se o primeiro homem preto a ser eleito deputado federal pelo Paraná. O político, que hoje é deputado estadual, foi o 9º candidato mais votado na disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados.

No Maranhão, Cricielle Muniz tornou-se a primeira mulher preta eleita para a Assembleia Legislativa estadual, ampliando a presença feminina negra na política maranhense.

Já em São Paulo, Erika Hilton, com 1.596.472 votos, consolidou-se entre as parlamentares mais votadas do país, reforçando a força de sua trajetória política e o crescimento da representação negra e trans nos espaços de poder.

O que esses resultados representam

As eleições de 2026 mostram que a representação negra segue avançando em diferentes regiões do Brasil. Mulheres negras, homens negros, lideranças LGBTQIA+, representantes indígenas, estreantes e parlamentares reeleitos passaram a ocupar espaços que durante décadas permaneceram majoritariamente fechados à diversidade racial do país.

Ao mesmo tempo, os resultados reforçam que o debate sobre representatividade continua atual. A presença desses nomes nos parlamentos estaduais e no Congresso Nacional é um retrato de avanços importantes, mas também um lembrete de que a composição dos espaços de poder ainda não reflete plenamente a população brasileira, majoritariamente negra.

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Barbara Braga