5 de outubro de 2026

Política

Eleições 2026: o que acontece se o eleitor não votar e não justificar?

Da multa eleitoral a restrições em documentos e concursos públicos, ausência nas urnas pode gerar consequências para quem tem o voto obrigatório

Barbara Braga | 05/10/2026
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- Crédito: Edilson Rodrigues/Agência Senad

Com a aproximação das Eleições 2026, marcadas para os dias 4 de outubro (primeiro turno) e 25 de outubro (segundo turno, onde houver necessidade), uma dúvida volta a aparecer entre milhões de brasileiros: afinal, o que acontece com quem não comparece às urnas e também não apresenta justificativa à Justiça Eleitoral?

No Brasil, o voto é obrigatório para pessoas alfabetizadas entre 18 e 69 anos. Já para jovens de 16 e 17 anos, pessoas analfabetas e cidadãos com 70 anos ou mais, a participação é facultativa. Quem está dentro da faixa em que o voto é obrigatório precisa ficar atento às regras para evitar pendências eleitorais.

Embora muita gente associe a ausência apenas ao pagamento de uma multa, as consequências podem ir além.

Não votar sem justificar gera pendência eleitoral

Quando uma pessoa deixa de votar e não apresenta justificativa dentro do prazo previsto pela Justiça Eleitoral, ela passa a ter uma pendência em seu cadastro eleitoral. Nesses casos, é aplicada uma multa eleitoral, que deve ser quitada para que a situação seja regularizada.

A justificativa pode ser feita pelo aplicativo e-Título, pelos canais digitais da Justiça Eleitoral ou presencialmente nos cartórios eleitorais. O prazo geral é de até 60 dias após cada turno da eleição.

Um detalhe importante é que cada turno é considerado uma eleição independente. Ou seja, quem faltar ao primeiro e ao segundo turno precisará justificar as duas ausências separadamente ou regularizar ambas posteriormente.

As consequências vão além da multa

A falta de regularização pode trazer obstáculos para diversos procedimentos da vida civil.

Segundo a Justiça Eleitoral, o eleitor que não votar, não justificar e não quitar a multa pode enfrentar restrições para emitir passaporte, obter certidão de quitação eleitoral, tomar posse em cargo público e receber remuneração de funções vinculadas ao poder público em situações previstas na legislação.

Também podem surgir impedimentos relacionados à inscrição ou posse em concursos públicos e a alguns procedimentos em instituições públicas de ensino.

Por isso, especialistas em direito eleitoral costumam reforçar que a regularização não deve ser deixada para depois, especialmente por quem pretende participar de concursos, processos seletivos ou emitir documentos oficiais nos próximos meses.

O título pode ser cancelado?

A ausência em uma única eleição não leva automaticamente ao cancelamento do título eleitoral. No entanto, a legislação prevê o cancelamento da inscrição eleitoral para quem deixa de votar, justificar ou quitar as multas por três eleições consecutivas. Nesse cálculo, cada turno é contabilizado separadamente.

Isso significa que uma sequência de ausências sem regularização pode resultar na perda temporária da regularidade eleitoral, exigindo posteriormente um processo de regularização junto à Justiça Eleitoral.

Como evitar problemas

A orientação da Justiça Eleitoral é que o eleitor consulte sua situação antes do dia da votação e, caso não possa comparecer, utilize os canais oficiais para apresentar a justificativa dentro do prazo. O aplicativo e-Título continua sendo uma das principais ferramentas para consultar informações eleitorais, justificar ausências e regularizar pendências.

Em um ano de eleições gerais, manter a situação eleitoral em dia não significa apenas estar apto a votar. Também é uma forma de evitar restrições futuras e garantir acesso a documentos, concursos e outros serviços que exigem a comprovação de quitação eleitoral.

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Barbara Braga