20 de junho de 2026

Cultura

Mateus Aleluia lança “Afrobarroco”: quando o Brasil se encontra com sua própria ancestralidade

Obra inédita tensiona narrativas oficiais e coloca a cultura afro-brasileira no centro da leitura sobre o país

Barbara Braga | 19/06/2026
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- Crédito: Tenille Bezerra

O cantor, compositor e pensador Mateus Aleluia apresenta ao público o livro inédito “Afrobarroco”, uma obra que ultrapassa o campo literário e se posiciona como uma reflexão profunda sobre o Brasil, sua formação cultural e as múltiplas histórias que o constituem.

Mais do que um lançamento, o livro surge como um gesto de reorganização do olhar: uma tentativa de pensar o país a partir de uma perspectiva mais inclusiva, afrocentrada e consciente das suas heranças históricas e espirituais.

Um Brasil contado pela memória, pela oralidade e pela experiência

“Afrobarroco” nasce da trajetória de Mateus Aleluia no Recôncavo Baiano, território que atravessa sua obra musical e seu pensamento filosófico.

A partir desse lugar de origem, o livro constrói uma leitura do Brasil que não se apoia em versões únicas ou oficiais, mas em experiências vividas, na oralidade, na convivência comunitária e na força das tradições afro-brasileiras.

O país aparece aqui como algo em constante formação, atravessado por encontros, tensões e permanências culturais.

Um dos eixos centrais da obra é a defesa de uma descolonização do olhar sobre o Brasil, especialmente no campo da educação e da formação cultural.

Para o autor, compreender o país exige reconhecer saberes historicamente marginalizados como parte estruturante da sua identidade.

Nesse sentido, “Afrobarroco” não se limita a descrever o Brasil, ele propõe uma mudança de perspectiva sobre como o Brasil é ensinado, interpretado e vivido.

“Afrobarroco” como conceito de convivência e criação

O título do livro carrega uma ideia central: a convivência entre diferentes matrizes culturais que formam o Brasil.

O conceito de Afrobarroco não busca separar, mas aproximar, sugerindo que o país é resultado da interação entre heranças africanas, indígenas e europeias, que se entrelaçam na construção da identidade nacional.

Essa leitura rompe com visões simplificadas e abre espaço para entender o Brasil como um território de complexidade, mistura e criação contínua.

O projeto do livro também se conecta a uma dimensão educativa. Além da publicação, há a proposta de circulação do conteúdo em espaços de formação, reforçando o caráter pedagógico da obra e sua intenção de alcançar escolas, bibliotecas e centros culturais.

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Barbara Braga