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Dos tambores do Pelourinho ao Rock in Rio: como o Olodum conquistou o mundo
Entre música, educação e identidade negra, Olodum construiu um legado que ultrapassa gerações e fronteiras
Quando o Olodum subir ao palco do Rock in Rio 2026 ao lado dos Gilsons, a apresentação carregará muito mais do que sucessos conhecidos pelo público brasileiro.
Estarão ali décadas de história, os tambores que ajudaram a redefinir a música baiana. Estará ali um movimento cultural que nasceu no coração do Pelourinho, em Salvador, e se transformou em um dos maiores símbolos da cultura afro-brasileira no mundo.
Hoje, é difícil imaginar a música brasileira sem a influência do samba-reggae. Mas houve um tempo em que esse ritmo simplesmente não existia. E a história de sua criação passa diretamente pelo Olodum.
O Olodum nasceu em 25 de abril de 1979, criado por moradores do Maciel-Pelourinho como uma alternativa de lazer e participação no Carnaval para a população negra da região. O que começou como um bloco afro rapidamente se transformou em algo muito maior.
Em uma Salvador marcada por profundas desigualdades raciais e sociais, o grupo passou a atuar não apenas na música, mas também na valorização da identidade negra, da ancestralidade africana e da luta contra o racismo.
Ao longo dos anos, o Olodum deixou de ser apenas um bloco carnavalesco para se tornar uma organização cultural que reúne música, educação, memória, teatro e projetos sociais voltados para a população negra. Mas foi na música que sua influência alcançou o mundo.
O nascimento do samba-reggae
A grande virada aconteceu na década de 1980.
Foi nesse período que o percussionista Neguinho do Samba desenvolveu uma nova linguagem rítmica dentro da bateria do Olodum. A proposta era ousada: unir elementos do samba duro baiano com a força do reggae jamaicano, criando uma sonoridade inédita.
Nascia o samba-reggae, uma nova forma de afirmar a identidade negra baiana através da música. Os tambores ganharam uma cadência própria. A percussão tornou-se protagonista. E a influência africana passou a ocupar o centro da narrativa sonora.
Canções como “Faraó – Divindade do Egito”, lançada em 1987 no álbum Egito Madagascar, ajudaram a popularizar o novo ritmo e transformaram o Olodum em um fenômeno cultural.
Quando Salvador conquistou o mundo
O sucesso do samba-reggae não ficou restrito à Bahia. Na década de 1990, o Olodum começou a chamar a atenção de artistas internacionais interessados naquela sonoridade percussiva única.
Um dos momentos mais importantes dessa trajetória aconteceu em 1990, quando o grupo participou de “The Obvious Child”, de Paul Simon, em um videoclipe gravado no Pelourinho que apresentou a estética e os tambores do Olodum para audiências ao redor do mundo.
Mas foi alguns anos depois que o grupo alcançaria um nível ainda maior de reconhecimento global.
Michael Jackson, Pelourinho e um momento histórico
Em 1996, o mundo inteiro voltou seus olhos para Salvador.
Dirigido por Spike Lee, o videoclipe de “They Don’t Care About Us”, de Michael Jackson, transformou o Pelourinho em cenário de uma das produções mais emblemáticas da música pop.
Um legado que ultrapassa a música
Embora seja frequentemente lembrado pelos shows e pelas parcerias internacionais, o legado do Olodum vai além da indústria musical.
Ao longo de mais de quatro décadas, o grupo ajudou a fortalecer debates sobre identidade negra, ancestralidade africana, educação antirracista e cidadania. Sua atuação contribuiu para transformar o Pelourinho em um dos principais centros de referência da cultura afro-brasileira.
O próprio significado do nome Olodum remete às raízes africanas do grupo. A palavra deriva de Olodumaré, expressão de origem iorubá associada ao criador do universo nas tradições religiosas africanas. Essa conexão com a ancestralidade sempre esteve presente em sua trajetória.
Mais de quarenta anos depois de sua fundação, o Olodum segue influenciando artistas dentro e fora do Brasil. Sua marca pode ser percebida em diferentes movimentos da música baiana, do samba-reggae aos blocos afro, passando por grupos que ajudaram a consolidar a identidade musical de Salvador nas últimas décadas.
Serviço
O Olodum se apresenta no Rock in Rio 2026 no dia 12 de setembro, no Palco Sunset, em um show conjunto com os Gilsons e a cantora Daniela Mercury. Fundado em Salvador em 1979, o grupo é considerado um dos principais responsáveis pela popularização do samba-reggae e pela projeção internacional da cultura afro-baiana. Ao longo de sua trajetória, acumulou parcerias com artistas como Paul Simon e Michael Jackson e consolidou-se como uma das mais importantes organizações culturais negras do Brasil.




