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Péricles prova por que é o Rei da Voz em tributo à Motown no Rock in Rio
Cantor trocou o pagode por clássicos do soul e do R&B norte-americano e entregou uma das apresentações mais elogiadas do festival
Quando Péricles subiu ao palco Sunset do Rock in Rio para apresentar o espetáculo “Péricles Canta Motown”, muita gente sabia que encontraria um grande cantor. O que talvez nem todos esperassem era assistir a uma verdadeira aula sobre a força da música negra e sobre como suas raízes atravessam continentes, décadas e estilos musicais.
Sem recorrer ao repertório que o transformou em um dos maiores nomes do samba e do pagode brasileiro, o artista construiu uma apresentação inteiramente dedicada ao legado da Motown Records, gravadora responsável por lançar e consolidar alguns dos maiores nomes da música negra do século XX.
O resultado foi uma das performances mais comentadas e elogiadas do Rock in Rio 2026.
Fundada em Detroit, nos Estados Unidos, a Motown ajudou a transformar artistas como Marvin Gaye, Stevie Wonder, The Jackson 5, Diana Ross e The Temptations em fenômenos globais.
Mais do que uma gravadora, ela se tornou um símbolo da excelência artística negra e um dos principais motores da internacionalização da música produzida por artistas afro-americanos.
Foi justamente essa história que Péricles decidiu celebrar. No palco, o cantor revisitou clássicos que marcaram gerações e mostrou que sua voz, conhecida por embalar romances e sucessos do pagode, também encontra morada natural no soul e no R&B.
Canções como “My Girl”, “I Want You Back”, “Superstition” e “Ain’t No Mountain High Enough” ganharam novas interpretações sem perder a essência que as tornou eternas.
A voz que atravessa gêneros
Há anos, Péricles é chamado pelos fãs de “Rei da Voz”. O apelido ganhou ainda mais sentido durante o show.
Sem a familiaridade do repertório de pagode, o cantor precisou se apoiar exclusivamente em sua capacidade vocal e interpretação. E foi justamente aí que a apresentação brilhou.
Com timbre grave, afinação precisa e uma presença de palco construída ao longo de décadas de carreira, ele transitou entre diferentes registros musicais com naturalidade, demonstrando que sua força artística nunca esteve limitada a um único gênero.
Acompanhado por uma banda completa e backing vocals inspirados nas formações clássicas do soul norte-americano, Péricles transformou o Sunset em uma celebração da música negra em suas diversas formas.
Da Motown ao pagode: conexões da diáspora negra
O show também serviu para lembrar algo que muitas vezes passa despercebido: embora separados por idiomas, países e ritmos, gêneros como soul, R&B, samba e pagode compartilham raízes comuns na experiência da diáspora africana.
A influência da música negra norte-americana ajudou a moldar gerações de artistas brasileiros. E poucos nomes representam tão bem essa ponte quanto Péricles.
Ao interpretar clássicos da Motown, ele não parecia um visitante em território alheio. Parecia alguém voltando para uma das fontes que ajudaram a construir sua própria musicalidade.
Em uma edição do Rock in Rio marcada por nomes gigantes da música internacional, a apresentação de Péricles conseguiu algo raro: fazer o público esquecer os rótulos.
Por pouco mais de uma hora, o cantor deixou de ser apenas um dos maiores nomes do pagode brasileiro para se tornar o intérprete de um repertório que ajudou a transformar a música negra em uma linguagem universal.




