Cultura
Dia dos Países Africanos estreia homenageando a potência cultural da República Democrática do Congo
Primeira edição do Dia dos Países Africanos reúne gastronomia, música, dança, debates e transmissão da Copa do Mundo no MUHCAB
No coração da Pequena África, região que guarda parte fundamental da memória afro-brasileira, o próximo sábado será marcado por um reencontro simbólico entre continentes.
O Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (MUHCAB) recebe a primeira edição do Dia dos Países Africanos, iniciativa que estreia homenageando a República Democrática do Congo e os 66 anos de independência do país africano.
Mais do que uma programação cultural, o evento propõe algo que nem sempre encontra espaço nas narrativas sobre o continente: apresentar a África a partir de suas próprias vozes, histórias e produções contemporâneas.
A iniciativa é liderada pela Chez Kimberly Food, projeto criado pelo chef congolês Rikler Makabu Sekelembe, que transformou a gastronomia em ferramenta de intercâmbio cultural, educação e fortalecimento das conexões entre África e diáspora.
Falar da República Democrática do Congo é falar de um dos países mais influentes da produção cultural africana contemporânea.
É dali que surgem referências musicais que impactaram gerações em todo o continente. É dali que nasceram movimentos artísticos, danças e expressões culturais que atravessaram fronteiras e continuam inspirando criadores ao redor do mundo.
Mas também é um país frequentemente reduzido a narrativas de conflito e instabilidade. O Dia dos Países Africanos surge justamente para desafiar essa visão limitada.
Ao longo do dia, o público poderá experimentar sabores da culinária congolesa, conhecer artistas, participar de oficinas de dança, acompanhar debates sobre história e relações afro-diaspóricas e circular por uma feira dedicada à produção cultural negra.
Da cozinha à memória
A gastronomia ocupa um lugar central na programação. Para Rikler Makabu, cozinhar é também contar histórias.
Os pratos apresentados durante o evento carregam ingredientes, técnicas e memórias que atravessaram oceanos e gerações. Cada receita funciona como um convite para conhecer o Congo para além dos livros de geografia ou das manchetes internacionais.
A comida, nesse contexto, se transforma em linguagem de pertencimento.
A escolha do MUHCAB não acontece por acaso. Instalado na região da Gamboa, o museu ocupa um território historicamente ligado à presença africana no Brasil. Caminhar por suas ruas é atravessar espaços que testemunharam parte da construção da cultura afro-brasileira.
Receber uma celebração da independência congolesa nesse local reforça um diálogo que atravessa séculos: o da conexão permanente entre África e diáspora.
Entre danças, debates e futebol
A programação também inclui apresentações musicais, oficinas de ndombolo, kuduro e outras manifestações culturais africanas, além de rodas de conversa com pesquisadores, lideranças culturais e representantes diplomáticos.
O Dia dos Países Africanos – Edição República Democrática do Congo acontece neste sábado, 11 de julho, das 10h às 21h, no MUHCAB (Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira), localizado na Rua Pedro Ernesto, 80, na Gamboa, região da Pequena África, no Rio de Janeiro. Com entrada gratuita e classificação livre, o evento convida o público a mergulhar na cultura congolesa por meio da gastronomia, da música, da dança, da literatura e de debates sobre memória, ancestralidade e diáspora africana.




