26 de junho de 2026

Cultura

Angela Davis estreia na Flip e leva o pensamento negro ao centro do principal festival literário do Brasil

Referência mundial nas lutas antirracistas e no feminismo negro, a filósofa norte-americana estará em Paraty durante a edição de 2026 da Flip

Barbara Braga | 25/06/2026
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- Crédito: José Eduardo Bernardes/Brasil de Fato

A edição de 2026 da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) acaba de ganhar um dos nomes mais aguardados de sua história recente. Pela primeira vez, a filósofa, escritora e ativista Angela Davis participará da programação do festival, ampliando a presença de intelectuais que ajudaram a transformar os debates contemporâneos sobre raça, gênero, democracia e justiça social em escala global.

A participação da autora acontecerá na Casa Sesc, um dos espaços mais tradicionais da programação paralela da Flip. Embora a data e o horário da atividade ainda não tenham sido divulgados, a expectativa em torno de sua presença já mobiliza leitores, pesquisadores, movimentos sociais e admiradores de sua obra em todo o país. Segundo veículos especializados, já existe até a especulação sobre a necessidade de estruturas extras para acomodar o público interessado em acompanhar sua fala.

A notícia chega em um momento simbólico para a literatura e para o pensamento crítico. Aos 82 anos, Angela Davis continua sendo uma das vozes mais influentes do mundo quando o assunto é combate ao racismo, feminismo negro, sistema prisional, direitos humanos e emancipação social. Sua trajetória atravessa mais de cinco décadas de ativismo e produção intelectual, inspirando gerações dentro e fora das universidades.

Autora de obras fundamentais como “Mulheres, Raça e Classe”, “Mulheres, Cultura e Política”, “A Liberdade é uma Luta Constante” e, mais recentemente, “Abolição: Políticas, Práticas e Promessas”, Davis ajudou a construir um vocabulário político que influenciou movimentos negros em diferentes partes do mundo, incluindo o Brasil.

Sua relação com o país não é recente. Ao longo dos últimos anos, a intelectual participou de conferências, seminários e encontros que reuniram milhares de pessoas em cidades brasileiras. Em diversas ocasiões, destacou a importância das contribuições de intelectuais negras brasileiras para a construção do pensamento antirracista contemporâneo e chamou atenção para as conexões históricas entre as lutas da diáspora africana nas Américas.

A chegada de Angela Davis à Flip também representa um movimento importante para o próprio festival. Tradicionalmente reconhecida como uma das principais celebrações literárias da América Latina, a festa tem ampliado seus diálogos com temas relacionados à memória, identidade, migração, democracia, colonialismo e justiça social. Em 2026, esses debates ganham ainda mais força com a presença de uma intelectual cuja obra se tornou referência para compreender os desafios políticos do século XXI.

A edição deste ano acontece entre os dias 22 e 26 de julho, em Paraty, e homenageia a poeta brasileira Orides Fontela, uma das vozes mais importantes da literatura nacional. A programação reúne escritores, artistas, pesquisadores e personalidades de diferentes países, consolidando a Flip como um dos principais espaços de circulação de ideias do país.

Mas, para além do calendário literário, a presença de Angela Davis carrega um significado político e simbólico. Em um momento em que temas como desigualdade racial, violência de Estado, direitos das mulheres e democracia seguem no centro das disputas contemporâneas, sua participação reafirma a importância da produção intelectual negra na construção de respostas para os desafios do presente.

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Barbara Braga