Cultura
Bárbara Carine e Thiago Thomé lançam livros que nasceram após casamento no Egito
Casal lança selo editorial afrocentrado e apresenta duas obras inspiradas pela viagem que marcou sua união em Kemet
Em agosto de 2024, as imagens do casamento de Bárbara Carine e Thiago Thomé diante das Pirâmides de Gizé circularam pelas redes sociais como um símbolo de amor, ancestralidade e reencontro com a África. Dois anos depois, aquela travessia ganha novos capítulos.
O casal acaba de anunciar a criação do selo editorial Atotô e a chegada de dois livros que nasceram diretamente das experiências vividas durante a viagem ao Egito: “O Velho Mundo: Egito Negro nas Escolas”, escrito por Bárbara Carine, e “Jorge Obaína e o Tesouro de Nefertari”, assinado por Thiago Thomé. As obras entram em pré-venda no dia 12 de julho pela Amazon.
Uma viagem que virou projeto de vida
Segundo o casal, o retorno ao Brasil aconteceu acompanhado de uma inquietação criativa que rapidamente se transformou em escrita.
Enquanto Bárbara mergulhou em pesquisas sobre história africana, educação e memória, Thiago encontrou na ficção um caminho para explorar os mistérios, símbolos e narrativas despertados pela passagem por Kemet, nome pelo qual o antigo Egito era conhecido pelos seus habitantes.
O resultado são duas obras distintas, mas conectadas por uma mesma origem: o desejo de ampliar o acesso a narrativas negras e afrocentradas.
Kemet na sala de aula
Em “O Velho Mundo: Egito Negro nas Escolas”, Bárbara Carine convida o leitor a revisitar a história do Egito a partir de perspectivas frequentemente ignoradas pelos currículos tradicionais.
Longe do formato de um livro didático convencional, a autora mistura relato de viagem, pesquisa histórica e reflexão educacional para questionar narrativas eurocêntricas que, durante séculos, afastaram a civilização kemética de suas raízes africanas.
Ao longo da obra, Bárbara apresenta contribuições científicas, arquitetônicas, filosóficas e culturais produzidas por povos africanos e propõe uma reflexão sobre a importância da memória na construção de uma educação antirracista.
A publicação dialoga diretamente com os debates sobre a Lei 10.639/03, que estabelece o ensino da história e cultura africana e afro-brasileira nas escolas, reforçando a necessidade de ampliar referências negras dentro dos espaços de aprendizagem.
Já Thiago Thomé escolhe a ficção para construir sua narrativa.
Em “Jorge Obaína e o Tesouro de Nefertari”, o autor apresenta um thriller arqueológico ambientado entre passado e futuro. A história acompanha Jorge Obaína, um arqueólogo brasileiro que, após encontrar um misterioso papiro no Cairo, embarca em uma investigação repleta de enigmas, conspirações internacionais e segredos ancestrais.
Misturando aventura, suspense, arqueologia e afrofuturismo, a obra marca o terceiro livro de Thomé e inaugura uma saga protagonizada por um herói negro brasileiro.
Ao mesmo tempo em que dialoga com leitores apaixonados por cultura pop e fantasia, o romance também provoca uma reflexão sobre memória, pertencimento e o direito de contar a própria história.
Nasce o selo Atotô
Os lançamentos também marcam a criação do Atotô, selo editorial desenvolvido pelo casal em parceria com a Editora Caxinguelê.
A proposta é construir um espaço dedicado à publicação de obras comprometidas com perspectivas negras, afrocentradas e decoloniais, fortalecendo a circulação de produções que dialogam com educação, arte, ancestralidade e transformação social.
Em um mercado editorial que ainda enfrenta desafios relacionados à diversidade de vozes e narrativas, o selo surge como uma iniciativa voltada para ampliar caminhos e oportunidades para autores e leitores interessados em outras formas de contar o mundo.
Embora sigam caminhos diferentes, um pela pesquisa e outro pela ficção, os livros compartilham a mesma essência. Ambos nasceram de uma experiência vivida em solo africano e da compreensão de que revisitar o passado também é uma forma de imaginar futuros possíveis.
Entre pirâmides, papiros, memórias e descobertas, Bárbara Carine e Thiago Thomé transformaram uma viagem em literatura. E fizeram do amor uma ponte para a ancestralidade.




