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Dois feminicídios, a mesma dor: jovem morta pelo companheiro era amiga de vítima arrastada na Marginal Tietê
Imagens de câmera segurança mostram Priscila Ribeiro Verson, de 22 anos, tentando fugir e pedindo socorro antes de ser assassinada por Deivit Bezerra Pereira
A violência contra a mulher fez mais uma vítima em São Paulo. No dia 18 de fevereiro de 2026, câmeras de segurança flagraram os últimos momentos de vida de Priscila Ribeiro Verson, de 22 anos, na zona norte de São Paulo. As imagens mostram a jovem correndo pela rua, tentando escapar do companheiro, Deivit Bezerra Pereira, de 35 anos, enquanto grita por socorro e tenta escalar um portão para se proteger.
Segundo a investigação, o casal mantinha um relacionamento há cerca de cinco anos e tinha três filhos pequenos, um de seis anos, outro de quatro e um bebê de apenas seis meses. Testemunhas relataram que houve uma discussão antes do ataque.
A sequência registrada pelas câmeras
Nas gravações, Priscila aparece correndo pela calçada e pedindo ajuda. O agressor surge em seguida, a alcança e inicia as agressões. Mesmo com pessoas se aproximando e gritando para que ele parasse, ele continua o ataque.
Após as agressões, Deivit colocou a vítima desacordada dentro do carro e deixou o local. Cerca de duas horas depois, ele deu entrada com Priscila em um hospital da região, onde a morte foi constatada pela equipe médica.
Inicialmente, o suspeito teria alegado que a companheira havia cometido suicídio. No entanto, as imagens de segurança e os indícios de violência no corpo da vítima contradisseram a versão apresentada. Ele foi preso em flagrante e autuado por feminicídio, crime previsto no Código Penal como homicídio qualificado por razões de gênero.
A ligação com outro caso que marcou São Paulo
A história ganha contornos ainda mais dolorosos porque Priscila havia acompanhado de perto o sofrimento da amiga Tainara. Em 29 de novembro de 2025, Tainara foi atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro na Marginal Tietê. O caso gerou forte comoção pública. Ela permaneceu internada por semanas, passou por cirurgias e amputações, mas morreu em 24 de dezembro de 2025, às vésperas do Natal.
Moradoras da mesma região, as duas mulheres conviviam e compartilhavam círculos de amizade. Priscila esteve presente nas homenagens à amiga meses antes de também se tornar vítima de violência letal.
A repetição dos casos em um intervalo tão curto evidencia uma realidade alarmante: a violência de gênero segue fazendo vítimas em diferentes contextos, muitas vezes dentro de relações íntimas.
O caso é investigado pelo Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). A polícia apura se havia histórico de violência anterior e se a vítima chegou a procurar ajuda ou registrar ocorrência.
Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o feminicídio segue em alta no país, com vítimas majoritariamente mortas por parceiros ou ex-parceiros dentro de casa. A maioria dos crimes acontece após ciclos recorrentes de violência, reforçando a importância da denúncia precoce e do acesso às redes de proteção.
Mais do que uma tragédia individual, o caso expõe uma dinâmica estrutural: relações marcadas por controle, violência psicológica e agressões que evoluem para desfechos fatais.
Onde buscar ajuda
Mulheres em situação de violência podem acionar a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, serviço gratuito e disponível 24 horas por dia em todo o país. Em situações de emergência, o número 190 da Polícia Militar também deve ser acionado. A denúncia é um dos principais instrumentos para interromper o ciclo de violência e garantir medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.




