25 de fevereiro de 2026

Afri News

STF condena irmãos Brazão a 76 anos pelo assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes

Decisão unânime marca um dos capítulos mais decisivos na busca por justiça no caso que abalou o Brasil e expôs as conexões entre política e milícia

Barbara Braga | 25/02/2026
Thumbnail

O Supremo Tribunal Federal condenou, por unanimidade, os irmãos Chiquinho Brazão e Domingos Brazão a 76 anos e três meses de prisão cada um pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do 2motorista Anderson Gomes, executados em 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro.

A decisão foi tomada pela Primeira Turma da Corte e consolida o entendimento de que os dois foram mandantes do crime. As penas incluem condenações por duplo homicídio qualificado, tentativa de homicídio, referente à sobrevivente Fernanda Chaves, e organização criminosa armada.

Outras condenações no julgamento

Além dos irmãos Brazão, o STF também definiu penas para outros envolvidos.

O major da Polícia Militar Ronald Paulo Alves Pereira foi condenado a 56 anos de prisão por participação nos homicídios e na tentativa de assassinato. Já Robson Calixto Fonseca, ex-assessor de Domingos Brazão, recebeu condenação por organização criminosa armada.

O delegado Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior foi absolvido da acusação de homicídio qualificado, mas condenado a 18 anos de prisão por obstrução de justiça e corrupção passiva, sob a acusação de ter atuado para dificultar o andamento das investigações.

@institutomariellefranco

Um crime político que marcou o país

A morte de Marielle não foi apenas um assassinato: foi um ataque direto a uma mulher negra, cria da Maré, defensora dos direitos humanos e crítica da violência policial e da expansão das milícias no Rio de Janeiro. Seu mandato na Câmara Municipal era símbolo de representatividade e enfrentamento às estruturas históricas de poder.

O julgamento no STF ocorre após anos de investigação e pressão nacional e internacional por respostas. A responsabilização dos irmãos Brazão representa um marco jurídico em um caso que, por muito tempo, simbolizou a sensação de impunidade diante de crimes políticos no Brasil.

TAGS:
AUTOR:
Barbara Braga