18 de fevereiro de 2026

Carnaval

Viradouro é campeã do Carnaval do Rio de Janeiro 2026 com “Pra cima, Ciça”, enredo dedicado ao coração da bateria

Com enredo emotivo e execução precisa, a Unidos do Viradouro reafirma a importância dos mestres de bateria e dos pilares da cultura negra no samba carioca

Barbara Braga | 18/02/2026
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- Crédito: @renataxavierfoto | @leandrolucasfoto | @keilakribeiro | @leandrojorasfoto | @cadupilotto | @felipexavierneto | @antoniobier | Rafael Catarcione | Prefeitura do Rio

A Unidos do Viradouro entrou para a história mais uma vez. Na tarde de 18 de fevereiro de 2026, após a leitura das notas na Cidade do Samba, a escola niteroiense foi declarada campeã do Carnaval do Rio de Janeiro, com 270 pontos, conquistando o título e emocionando o público com um desfile que reverbera ancestralidade, ritmo e reconhecimento.

Com desempenho técnico consistente e narrativa apaixonante, a Viradouro superou concorrentes de ponta em uma disputa acirrada e colocou no centro da avenida a história de um dos pilares mais fundamentais do samba: o mestre de bateria.

“Pra cima, Ciça”: quando a Sapucaí celebrou o mestre

O enredo campeão da Viradouro em 2026 foi “Pra cima, Ciça”, uma homenagem comovente ao Mestre de bateria Moacyr da Silva Pinto, conhecido carinhosamente como Mestre Ciça. A narrativa percorreu sua trajetória, desde as raízes na comunidade até sua consagração como comandante da bateria Furacão Vermelho e Branco.

O samba-enredo não se limitou a contar a história de um personagem: ele revisitava memórias de resistência, criação coletiva e o valor do corpo da bateria como coração pulsante do Carnaval. Cada cadência, cada ritmo e cada panos de chão foi narrado como gesto de celebração da história viva do samba.

Execução magistral: bateria, harmonia e comissão de frente

Na apuração, a Viradouro brilhou em quesitos fundamentais:

  • Bateria: com o Furacão Vermelho e Branco marcando presença sonora e estética, impressionando pela precisão e impacto.
  • Harmonia: fluidez entre canto, música e evolução na avenida.
  • Comissão de Frente: componentes que narraram tanto a ancestralidade quanto a criatividade estética da escola.

O conjunto da obra refletiu um equilíbrio raro entre técnica e emoção, o que garantiu fôlego e vantagem numérica frente a outras escolas fortes do Grupo Especial.

Rafael Catarcione | Prefeitura do Rio

Juliana Paes e a celebração viva na Sapucaí

Parte da emoção da noite aconteceu quando a atriz Juliana Paes, rainha de bateria da Viradouro, voltou a ocupar espaço na avenida após 17 anos longe dessa função na escola. Sua presença reforçou o vínculo afetivo e histórico entre a escola e a comunidade da Sapucaí, além de ampliar o impacto da homenagem a Mestre Ciça.

A festa, vista por milhares de foliões e milhões de espectadores, não foi apenas a consagração de um desfile impecável, mas também o reconhecimento de uma cultura que pulsa nas ruas, nos terreiros e nas histórias dos que constroem o samba todos os dias.

Disputa acirrada e a narrativa do Carnaval 2026

Apesar da vitória incontestável da Viradouro, a apuração confirmou uma disputa forte com escolas tradicionais:

  • 🥈 Beija-Flor de Nilópolis —> segundo lugar, mantendo sua reputação de potência competitiva.
  • 🥉 Unidos de Vila Isabel —> terceiro lugar, com apresentação vibrante e narrativa própria.
  • Outras escolas como Mangueira e Salgueiro figuaram entre as mais bem pontuadas, evidenciando o alto nível técnico da competição neste ano.

Em um momento em que o Brasil e o mundo debatem identidades, narrativas históricas e protagonismo cultural, a Viradouro colocou sua bandeira, vermelha e branca, como símbolo de história viva, ritmo e identidade coletiva.

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Barbara Braga