Carnaval
Africanize Sessions agita o Camarote Salvador em uma festa com muitos ritmos e identidade
A estreia no Carnaval de Salvador trouxe batidas contemporâneas e celebração a ancestralidade negra no coração da folia
Quando o Carnaval de Salvador 2026 já se consolidava como um dos mais vibrantes e plurais da história, a Africanize Sessions entrou como um momento de encontro, orgulho e festa da música preta. Realizado no Camarote Salvador na noite de 16 de fevereiro, o projeto trouxe uma curadoria sonora que conversou com África, Brasil e diáspora, reforçando que a celebração da cultura negra pode (e deve) ser sentida tanto nas ruas quanto nos palcos.
Não foi apenas mais uma festa: foi uma manifestação cultural em forma de música.
Som que atravessa oceanos e conectividades
O line-up do Africanize Sessions reuniu três DJs com trajetórias diferentes, mas com uma linguagem em comum: a potência da música preta contemporânea e a capacidade dela criar diálogos entre lugares, tempos e histórias.
🎧 Shine (Angola)
Diretamente de Angola, Shine trouxe influências africanas que criaram pontes instantâneas com a energia baiana da noite. Seu set não se limitou a batidas conhecidas: explorou fragmentos e texturas que apontam para um som que vem de longe, mas que se reconhece aqui.
🎶 Umiranda (Brasília)
Com um repertório que mistura brasilidades, afrobeat e curvas eletrônicas, Umiranda, vinda da capital federal, imprimiu seu estilo nas pickups. Foi uma apresentação que mostrou como ritmos populares e linguagem afro global podem pulsar juntos com naturalidade.
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Africanize/Chico Santos
🥁 Vitória Nicolau (São Paulo)
Responsável por abrir a noite, Vitória trouxe um set marcante que transita entre referências afro-brasileiras e sonoridades globais. Sua performance foi um lembrete de que a identidade sonora preta não está confinada a um ritmo ou a uma tradição, mas vive nas interseções.
É difícil pensar em um lugar mais simbólico para essa celebração do que Salvador, uma cidade que respira ancestralidade negra o ano inteiro, e que se transforma, no Carnaval, em palco das expressões mais potentes da cultura afro-baiana.
No Camarote Salvador, o Africanize Sessions encontrou público receptivo e uma atmosfera pronta para ser atravessada por som, dança e coletivo. As batidas ecoaram como uma celebração de pertencimento, muito além do entretenimento.
Ali, o Carnaval deixou de ser simplesmente festa para se tornar manifestação de identidade cultural.
Mistura de ritmos e territórios sonoros
O que fez o Africanize Sessions tão especial foi a sua capacidade de cruzar referências sem perder coerência. Os sets foram construídos pensando em:
- diáspora sonora-> abrindo espaço para que cada pista de batida conversasse com África, Brasil e o mundo negro;
- identidade cultural-> mostrando que a música preta não precisa se explicar para existir;
- convite ao encontro-> mais do que performers e público, lá era lugar de comunidade.
Foi música com consciência, sonora e política, celebrada com alegria.
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Africanize/Chico Santos
O Africanize Sessions foi um momento de afirmação estética e cultural da música preta. Ao reunir DJs que representam trajetórias e geografias distintas, o projeto mostrou como a música negra continua escrevendo sua própria história dentro da folia, atravessando fronteiras e criando novos caminhos.
No Camarote Salvador, entre um ritmo e outro, o público sentiu que a noite entrega mais do que batidas: entrega identidade, ancestralidade e presença.











