1 de setembro de 2026

Afri News

Uganda anuncia fim do surto de Ebola após 42 dias sem novos casos

País encerrou oficialmente o surto causado pelo vírus Ebola Bundibugyo após registrar 20 casos confirmados e duas mortes; vigilância continua por causa da circulação do vírus na região

Barbara Braga | 31/08/2026
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Legenda: Um promotor de saúde de MSF conversa com um comerciante em Madudu, próximo ao epicentro do surto de Ebola em Uganda. - Crédito: Sam Taylor/MSF, 2022.

Uganda declarou oficialmente o fim do surto de Ebola no país após completar 42 dias sem registrar novos casos, anunciou a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta quinta-feira (27). O encerramento representa um importante avanço no controle da doença, especialmente diante da circulação do vírus em países vizinhos.

O surto foi provocado pelo vírus Ebola Bundibugyo, uma variante menos comum do Ebola. Ao todo, Uganda registrou 20 casos confirmados e duas mortes durante o período de transmissão.

A contagem de 42 dias começou depois que o último paciente confirmado recebeu alta, em 16 de julho. Como nenhuma nova infecção foi identificada desde então, as autoridades puderam declarar oficialmente o fim do surto.

Por que são necessários 42 dias?

O período utilizado pelas autoridades de saúde segue um protocolo internacional.

Os 42 dias equivalem a duas vezes o período máximo de incubação do vírus Ebola, que pode chegar a 21 dias. A ausência de novos casos durante esse intervalo é utilizada para indicar que não há evidências de transmissão contínua relacionada ao surto.

Isso não significa, porém, que a vigilância seja encerrada. Mesmo depois da declaração oficial, equipes de saúde continuam monitorando possíveis sintomas e mantendo estruturas preparadas para identificar rapidamente qualquer novo caso.

Segundo a OMS, a resposta envolveu identificação rápida de casos, isolamento, acompanhamento de contatos e vigilância epidemiológica, além da mobilização de profissionais de saúde e comunidades locais.

A estratégia foi especialmente importante porque parte das infecções estava relacionada a pessoas que haviam atravessado a fronteira com a República Democrática do Congo (RDC), onde a doença também circula.

A atuação coordenada permitiu que as autoridades interrompessem as cadeias de transmissão antes que o surto alcançasse uma dimensão ainda maior.

O vírus continua circulando na região

O fim do surto em Uganda não representa o fim do Ebola na África Central e Oriental.

A República Democrática do Congo continua enfrentando um surto de Ebola, também causado pelo vírus Bundibugyo. A situação mantém os países vizinhos em alerta, especialmente aqueles que possuem fronteiras ou intenso fluxo de pessoas com a RDC.

Por isso, Uganda mantém vigilância reforçada nas regiões de fronteira, além de mecanismos de resposta rápida para eventuais casos suspeitos. A experiência recente também demonstra a importância de sistemas de saúde preparados para agir rapidamente diante de doenças infecciosas de alta gravidade.

O encerramento do surto mostra que é possível interromper a transmissão do Ebola quando existe uma resposta rápida e coordenada. Ao mesmo tempo, a situação regional reforça que vigilância, cooperação entre países e acesso rápido aos serviços de saúde continuam sendo essenciais.

Por enquanto, Uganda celebra uma conquista importante: 42 dias sem novos casos e o fim oficial do surto de Ebola em seu território.

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Barbara Braga