29 de agosto de 2026

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Ex-policial militar detalha assassinato de Marielle Franco e diz ter sido movido pela ganância

Em entrevista inédita, Ronnie Lessa condenado pelo crime descreveu o planejamento da execução e afirmou que ficou “cego” diante dos R$ 25 milhões que receberia; Justiça já condenou os mandantes apontados no caso

Barbara Braga | 28/08/2026
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- Crédito: Reprodução

Mais de oito anos depois do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, novas declarações de Ronnie Lessa voltaram a colocar o crime no centro do debate público. Em entrevista ao programa Doc Investigação, da Record, exibida nesta quinta-feira (28), o ex-policial militar detalhou o planejamento e a execução do atentado e falou sobre o que, segundo ele, o levou a aceitar a missão.

Condenado pelo assassinato da vereadora e do motorista, Lessa afirmou que ficou “cego” pelo dinheiro e que sua participação no crime esteve diretamente relacionada à promessa de receber R$ 25 milhões.

“Eu estava cego, estava entorpecido. Eu estava sob uma overdose de ganância, overdose de ambição. Dinheiro”, afirmou durante a entrevista.

Segundo Lessa, a preparação para o assassinato começou meses antes da execução. Ele contou que, ao lado do também ex-PM Élcio de Queiroz, acompanhou a rotina de Marielle durante cerca de sete meses.

Na noite de 14 de março de 2018, os dois seguiram o carro em que estavam Marielle, Anderson e a assessora Fernanda Chaves.

De acordo com o relato apresentado no programa, a perseguição durou aproximadamente quatro quilômetros. Lessa disse que estava no banco traseiro do veículo utilizado na ação e que, quando o carro de Marielle parou em um sinal de trânsito, Élcio teria aproximado o automóvel.

Foi então que Lessa realizou os disparos com uma submetralhadora HK MP5. Os tiros atingiram Marielle e Anderson. A assessora Fernanda Chaves sobreviveu ao ataque.

“Eu estava cego pelo dinheiro”

Ao falar sobre sua motivação, Lessa colocou o dinheiro no centro de sua decisão.

Segundo ele, a quantia de R$ 25 milhões representava sua parte no acordo relacionado ao assassinato. A declaração aparece em um momento importante do caso porque, ao longo das investigações, diferentes informações foram apresentadas sobre a recompensa e os interesses envolvidos na execução.

Na entrevista, Lessa também afirmou ter atuado como matador para grupos criminosos e falou sobre suas conexões com milicianos e bicheiros do Rio de Janeiro.

Apesar da nova declaração, é importante diferenciar o que é relato do condenado daquilo que foi reconhecido judicialmente como motivação e autoria do crime.

O que a Justiça já estabeleceu

Ronnie Lessa foi condenado em outubro de 2024 pelo assassinato de Marielle e Anderson e pela tentativa de homicídio contra Fernanda Chaves.

Inicialmente, a pena estabelecida foi de 78 anos e 9 meses de prisão. Em agosto de 2026, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro aumentou a pena para 81 anos e 10 meses. Élcio de Queiroz, apontado como motorista do veículo usado na execução, também teve sua pena elevada, passando de 59 anos e 8 meses para 76 anos e 6 meses.

Já em relação aos mandantes, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou, em fevereiro de 2026, os irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão a 76 anos e 3 meses de prisão pelos assassinatos de Marielle e Anderson, além de outros crimes.

O STF considerou que o crime teve motivação política, relacionada aos interesses de uma organização criminosa ligada à milícia e à disputa por poder e território. A Corte também apontou elementos de racismo, misoginia e violência política de gênero no contexto do assassinato de Marielle.

Em junho deste ano, o Supremo rejeitou recursos apresentados pelos cinco condenados no processo relacionado ao planejamento do crime e manteve as condenações.

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Barbara Braga