21 de julho de 2026

Música

“Thriller” e “Lemonade”: Michael Jackson e Beyoncé são reconhecidos entre as obras mais influentes da história americana

Dois dos maiores nomes da música negra mundial passam a integrar seleção do The Washington Post que reúne obras responsáveis por moldar a identidade cultural norte-americana

Barbara Braga | 20/07/2026
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- Crédito: Divulgação

O que faz uma obra entrar para a história?

Para o The Washington Post, a resposta passa por impacto, permanência e capacidade de transformar a maneira como uma sociedade enxerga a si mesma. Foi a partir dessa perspectiva que o jornal norte-americano reuniu uma seleção das 25 criações culturais mais influentes da história dos Estados Unidos, e dois nomes negros aparecem entre os escolhidos: Michael Jackson e Beyoncé.

Representados pelos álbuns “Thriller” (1982) e “Lemonade” (2016), os artistas passam a ocupar um espaço reservado a produções consideradas fundamentais para compreender a cultura, a política e a identidade norte-americana ao longo dos últimos séculos.

Mais do que um reconhecimento artístico, a escolha reforça o papel central da cultura negra na construção da história dos Estados Unidos.

Michael Jackson e a revolução chamada “Thriller”

Lançado em 1982, “Thriller” continua sendo o álbum mais vendido da história da música. Mas o motivo que levou a obra para a lista vai muito além dos números.

Para o Washington Post, o projeto redefiniu o conceito de estrela global, revolucionou a linguagem dos videoclipes e ajudou a romper barreiras raciais dentro da indústria do entretenimento.

Com sucessos como “Billie Jean”, “Beat It” e a faixa-título “Thriller”, Michael Jackson transformou a música pop em um fenômeno cultural sem precedentes, criando um modelo que ainda influencia artistas de diferentes gerações.

Quatro décadas depois de seu lançamento, o álbum continua sendo uma referência para músicos, produtores, cineastas e pesquisadores da cultura pop.

“Lemonade” e a força da narrativa negra

Se Michael Jackson ajudou a transformar a música pop globalmente, Beyoncé expandiu os limites do que um álbum poderia representar.

Lançado em 2016, “Lemonade” foi muito além de um projeto musical.

Misturando música, cinema, poesia, ancestralidade e crítica social, a obra se consolidou como um dos retratos mais poderosos da experiência de mulheres negras na cultura contemporânea.

Ao abordar temas como identidade, racismo, memória, feminilidade, espiritualidade e resistência, Beyoncé transformou o álbum em uma experiência coletiva que ultrapassou o universo da música.

Dez anos após seu lançamento, a obra segue sendo estudada em universidades, debatida em espaços acadêmicos e reconhecida como um dos marcos culturais mais importantes do século XXI.

A cultura negra no centro da história americana

A presença de “Thriller” e “Lemonade” em uma lista que reúne algumas das obras mais influentes da história dos Estados Unidos evidencia algo que pesquisadores, artistas e intelectuais negros afirmam há décadas: a cultura negra não ocupa um papel secundário na formação da identidade norte-americana.

Ela é parte fundamental dela. Do jazz ao hip-hop, do blues ao R&B, passando pelo cinema, pela moda e pelas artes visuais, a produção cultural negra ajudou a construir linguagens, comportamentos e referências que atravessaram fronteiras e moldaram a cultura global.

Nesse contexto, Michael Jackson e Beyoncé representam diferentes gerações de uma mesma tradição de inovação, criatividade e reinvenção.

Embora separados por mais de 30 anos, “Thriller” e “Lemonade” compartilham uma característica em comum: ambos conseguiram capturar o espírito de seu tempo e transformá-lo em algo universal.

Michael abriu caminhos para artistas negros ocuparem espaços historicamente inacessíveis na indústria musical global.

Beyoncé ampliou esses caminhos ao transformar sua arte em ferramenta de afirmação identitária, memória e representatividade.

Ao serem incluídos entre as maiores criações culturais da história dos Estados Unidos, os dois artistas reforçam um legado que vai muito além da música.

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Barbara Braga