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Silvio Almeida nega acusações de importunação sexual e Anielle Franco rebate ex-ministro
Silvio Almeida acredita que tanto ele quanto Anielle caíram em ciladas e fofocas políticas; Para Anielle, a entrevista concedida por ele reforça o silenciamento das vítimas

Ex-ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida falou pela primeira vez, em entrevista ao UOL, sobre as acusações de importunação sexual feitas pela ministra da Igualdade Racial Anielle Franco, ex-alunas e professora.
Questionado sobre seu silêncio durante esses cinco meses, explicou que precisou se recolher para cuidar da família e que não quis falar enquanto o clima era de hostilidade. Durante a entrevista, negou as acusações, afirmando que não tinha proximidade com a ministra Anielle, que cruzou com ela poucas vezes e que, por parte dela, o clima era tenso e de divergência.
Silvio Almeida acredita que tanto ele quanto Anielle caíram em ciladas e fofocas políticas e que não souberam lidar com a situação. O jurista afirma que, desde 2006, quando começou a dar aulas, sempre teve assistentes em sala e que não havia oportunidade de ficar sozinho ou ter momentos de intimidade com alunas. Por isso, considera as acusações infundadas.

“Diante do tamanho da crise, ou ela se retratava ou dobrava a aposta na história inverídica, criando uma crise enorme no governo, colocando em xeque políticas importantes do ministério, destruindo minha vida pessoal e a da minha família, e provocando esse efeito. Ela escolheu o caminho da destruição.”
As declarações ocorreram nas vésperas de Silvio Almeida prestar depoimento na sede da Polícia Federal nessa terça-feira (25).
Ministra Anielle Franco critica declarações de Silvio Almeida sobre denúncia de assédio
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, criticou as declarações do ex-ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, que classificou como “fofocas e intrigas” a acusação de assédio sexual contra ele. Nas redes sociais, Anielle afirmou que a tentativa de descredibilizar as vítimas e minimizar os relatos é uma “estratégia repulsiva”.
“A tentativa de descredibilizar vítimas de assédio sexual, minimizar suas dores e transformar relatos graves em ‘fofocas’ e ‘brigas políticas’ é inaceitável”, declarou a ministra após a publicação da entrevista de Almeida ao UOL.

O ex-ministro deve prestar depoimento à Polícia Federal nesta semana. Para Anielle, a entrevista concedida por ele faz parte de uma estratégia de defesa que reforça o silenciamento das vítimas. “O direito à defesa é assegurado, mas não pode ser usado como instrumento de desinformação e revitimização. Insinuar retaliações descabidas contra quem denuncia é uma estratégia repulsiva que reforça estruturas de silenciamento e impunidade”, escreveu Anielle no X (antigo Twitter).
A ministra também destacou que importunação sexual não deve ser tratada como uma questão política, mas sim como um crime, e reafirmou sua confiança na investigação conduzida pela Polícia Federal. “Reitero minha confiança na seriedade das investigações conduzidas pela Polícia Federal e reforço meu compromisso com a defesa das vítimas e o combate à violência de gênero e raça”, afirmou.