3 de abril de 2025

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Silvio Almeida nega acusações de importunação sexual e Anielle Franco rebate ex-ministro

Silvio Almeida acredita que tanto ele quanto Anielle caíram em ciladas e fofocas políticas; Para Anielle, a entrevista concedida por ele reforça o silenciamento das vítimas

• 24/02/2025
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Foto: Agência Brasil/Reprodução | Divulgação

Ex-ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida falou pela primeira vez, em entrevista ao UOL, sobre as acusações de importunação sexual feitas pela ministra da Igualdade Racial Anielle Franco, ex-alunas e professora.

Questionado sobre seu silêncio durante esses cinco meses, explicou que precisou se recolher para cuidar da família e que não quis falar enquanto o clima era de hostilidade. Durante a entrevista, negou as acusações, afirmando que não tinha proximidade com a ministra Anielle, que cruzou com ela poucas vezes e que, por parte dela, o clima era tenso e de divergência.

Silvio Almeida acredita que tanto ele quanto Anielle caíram em ciladas e fofocas políticas e que não souberam lidar com a situação. O jurista afirma que, desde 2006, quando começou a dar aulas, sempre teve assistentes em sala e que não havia oportunidade de ficar sozinho ou ter momentos de intimidade com alunas. Por isso, considera as acusações infundadas.

Foto: Divulgação/Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania

“Diante do tamanho da crise, ou ela se retratava ou dobrava a aposta na história inverídica, criando uma crise enorme no governo, colocando em xeque políticas importantes do ministério, destruindo minha vida pessoal e a da minha família, e provocando esse efeito. Ela escolheu o caminho da destruição.”

As declarações ocorreram nas vésperas de Silvio Almeida prestar depoimento na sede da Polícia Federal nessa terça-feira (25).

Ministra Anielle Franco critica declarações de Silvio Almeida sobre denúncia de assédio

A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, criticou as declarações do ex-ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, que classificou como “fofocas e intrigas” a acusação de assédio sexual contra ele. Nas redes sociais, Anielle afirmou que a tentativa de descredibilizar as vítimas e minimizar os relatos é uma “estratégia repulsiva”.

“A tentativa de descredibilizar vítimas de assédio sexual, minimizar suas dores e transformar relatos graves em ‘fofocas’ e ‘brigas políticas’ é inaceitável”, declarou a ministra após a publicação da entrevista de Almeida ao UOL.

Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ex-ministro deve prestar depoimento à Polícia Federal nesta semana. Para Anielle, a entrevista concedida por ele faz parte de uma estratégia de defesa que reforça o silenciamento das vítimas. “O direito à defesa é assegurado, mas não pode ser usado como instrumento de desinformação e revitimização. Insinuar retaliações descabidas contra quem denuncia é uma estratégia repulsiva que reforça estruturas de silenciamento e impunidade”, escreveu Anielle no X (antigo Twitter).

A ministra também destacou que importunação sexual não deve ser tratada como uma questão política, mas sim como um crime, e reafirmou sua confiança na investigação conduzida pela Polícia Federal. “Reitero minha confiança na seriedade das investigações conduzidas pela Polícia Federal e reforço meu compromisso com a defesa das vítimas e o combate à violência de gênero e raça”, afirmou.

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