Representatividade
REPCONE fortalece proteção digital de comunicadoras negras na América Latina com nova edição do programa
Iniciativa da Rede de Jornalistas Pretos vai selecionar 30 mulheres para programa de proteção digital e lança plataforma de inteligência artificial voltada ao enfrentamento da violência online
Em um cenário marcado pelo crescimento da violência digital, dos ataques coordenados e da disseminação de desinformação contra mulheres em espaços de visibilidade pública, a Rede de Proteção Digital para Comunicadoras Negras (REPCONE) realiza a segunda edição de seu programa de formação e apoio voltado a mulheres negras da América Latina. A iniciativa, promovida pela Rede de Jornalistas Pretos pela Diversidade na Comunicação (Rede JP), busca fortalecer estratégias de proteção, segurança e resposta diante das ameaças que atravessam o ambiente digital.
Com inscrições encerradas nesta semana, o programa irá selecionar 30 mulheres latino-americanas entre jornalistas, ativistas, pesquisadoras e lideranças comunitárias. A proposta é reunir participantes de diferentes territórios, experiências e áreas de atuação, priorizando mulheres que enfrentam contextos de maior vulnerabilidade e invisibilidade estrutural.
Mais do que um curso, a REPCONE se apresenta como uma rede de apoio construída para responder a uma realidade cada vez mais preocupante. Estudos recentes apontam que mulheres negras, pessoas LGBTQIA+, defensores de direitos humanos e lideranças periféricas estão entre os grupos mais impactados pela violência política e pelos ataques digitais, especialmente em períodos de intensa polarização social e política.
“Nos últimos anos, percebemos que os ataques se tornaram mais coordenados e rápidos. Por isso, além da formação, buscamos criar uma estrutura permanente de apoio para que essas mulheres não enfrentem a violência digital sozinhas”, afirma Marcelle Chagas, coordenadora-geral da Rede JP e idealizadora da REPCONE.
O programa é estruturado em quatro pilares principais. O primeiro é a formação, composta por aulas virtuais sobre segurança digital, proteção de dados, resposta a incidentes e enfrentamento à desinformação. O segundo envolve ações de proteção e cuidado, com suporte psicossocial e orientação jurídica especializada. Há ainda uma frente de resposta rápida, voltada para situações de assédio online e campanhas coordenadas de ataques, além da criação de uma infraestrutura tecnológica capaz de ampliar o suporte às participantes.
Entre as novidades desta edição está o lançamento da Latinas IA, plataforma desenvolvida para oferecer apoio contínuo a mulheres em situação de vulnerabilidade digital. A ferramenta foi criada para funcionar como um ambiente integrado de orientação e proteção, reunindo conteúdos verificados, protocolos de segurança, informações sobre enfrentamento à desinformação e conexões com redes de apoio espalhadas pela América Latina.
Segundo Marcelle Chagas, a criação da plataforma responde a uma lacuna histórica das tecnologias disponíveis atualmente. “A maioria das ferramentas de inteligência artificial disponíveis hoje foi desenvolvida com referências que nem sempre refletem a realidade das mulheres latino-americanas. O Latinas nasceu justamente para preencher essa lacuna, oferecendo um suporte construído a partir dos contextos culturais e linguísticos da nossa região”, explica.
O cronograma da REPCONE inclui ainda oficinas presenciais no Rio de Janeiro e no Peru, além da oferta de mini grants, apoios financeiros destinados a iniciativas locais desenvolvidas pelas participantes. A expectativa é que os conhecimentos adquiridos durante a formação sejam multiplicados em comunidades, coletivos e organizações de diferentes países.




