28 de setembro de 2026

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Quem era Arilson Cantanhede, o comunicador que transformou sua paixão pelo Carnaval em legado

Embaixador e repórter do Rio Carnaval, Arilson morreu aos 43 anos e deixou uma trajetória marcada pela paixão pelo samba, pelo bom humor e pela proximidade com as escolas

Barbara Braga | 28/09/2026
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- Crédito: @arilsoncantanhede

Para quem acompanha o Carnaval carioca pelas redes sociais, os bastidores das escolas de samba ganharam nos últimos anos um rosto, uma voz e um jeito muito particular de contar suas histórias. Entre barracões, quadras, ensaios e os preparativos para a Sapucaí, estava Arilson Cantanhede.

Influenciador, modelista, repórter e embaixador do Rio Carnaval, Arilson morreu nesta segunda-feira (28), aos 43 anos. A morte foi confirmada pela Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), que lamentou a perda do profissional.

Arilson fez do Carnaval parte de sua própria identidade. Com humor, espontaneidade e uma relação próxima com as agremiações, transformou a rotina que acontece longe dos grandes holofotes em conteúdo para milhares de pessoas.

Quem era Arilson Cantanhede?

Arilson atuava como repórter do Rio Carnaval havia cerca de dois anos e foi embaixador da plataforma em 2025. Nas redes sociais, construiu uma comunidade de mais de 50 mil seguidores, compartilhando conteúdos sobre as escolas de samba, os bastidores dos preparativos e a cultura carnavalesca.

Seu trabalho tinha uma característica que ajudou a diferenciá-lo: Arilson não parecia interessado apenas no espetáculo pronto.

Ele mostrava o que acontecia antes da Sapucaí.

Os ensaios, as quadras, os barracões, os encontros entre sambistas e os detalhes da preparação das escolas faziam parte de seu repertório. Era uma maneira de apresentar o Carnaval a quem já era apaixonado pelo samba, mas também de aproximar quem estava chegando pela primeira vez àquele universo.

Essa proximidade fez com que Arilson construísse uma relação especial com diferentes agremiações e com a própria comunidade do Carnaval.

Um comunicador que levava o samba para as redes

A força de Arilson estava também na forma como ele se comunicava.

Em um ambiente que muitas vezes pode parecer distante para quem acompanha o Carnaval apenas durante os dias de desfile, ele ajudava a traduzir a rotina das escolas de samba para uma linguagem mais próxima das redes sociais.

O resultado era um conteúdo que misturava informação, entretenimento e paixão pelo samba.

Seu bom humor não diminuía a importância do que estava sendo mostrado. Pelo contrário: ajudava a criar uma porta de entrada para um universo formado por artistas, trabalhadores, sambistas, comunidades e profissionais que fazem o Carnaval acontecer durante todo o ano.

Foi assim que Arilson passou a ocupar um lugar que ia além do de influenciador. Tornou-se um comunicador do Carnaval.

A paixão pelas escolas de samba

A relação de Arilson com as agremiações era conhecida por quem acompanhava seu trabalho.

O Império Serrano, por exemplo, publicou uma homenagem após sua morte. A escola destacou a tristeza pela partida precoce e afirmou que ele deixava uma lacuna entre aqueles que compartilhavam seu amor pelo Carnaval.

A Portela também se despediu do comunicador, ressaltando seu sorriso, sua alegria, seu carinho e sua energia. A Unidos de Padre Miguel destacou ainda sua paixão pelo chamado Boi Vermelho e o legado de amizade e amor pelo samba.

As manifestações ajudam a dimensionar o espaço que Arilson ocupava dentro desse universo: ele não era apenas alguém que produzia conteúdo sobre as escolas. Era alguém que estava presente na rotina delas.

E sua última aparição no Carnaval aconteceu praticamente às vésperas de sua morte.

Na madrugada de domingo (27), Arilson esteve na quadra do Império Serrano, acompanhando a final da disputa de samba-enredo da escola para o Carnaval de 2027. Um dia depois, a notícia de sua morte provocaria uma onda de homenagens entre as agremiações.

A saúde e a cirurgia no coração

A trajetória recente de Arilson também havia sido marcada por um problema cardíaco.

Em junho de 2026, ele passou por uma cirurgia de grande porte no coração depois de descobrir uma obstrução nas artérias. Segundo relatos publicados após sua morte, o procedimento envolveu a colocação de pontes de safena.

Depois do procedimento e da liberação médica, Arilson voltou a participar de eventos relacionados ao Carnaval.

A recuperação, no entanto, fazia parte de uma história que ele próprio decidiu compartilhar com seus seguidores. Na época, chegou a falar sobre a importância de prestar atenção aos sinais do corpo e não ignorar possíveis sintomas cardíacos.

A morte, ocorrida meses depois, foi confirmada pela Liesa. Embora veículos tenham informado infarto como causa, a primeira nota oficial da entidade apenas confirmou o falecimento, sem detalhar a causa.

Um legado construído fora dos holofotes da Sapucaí

Existe uma dimensão importante na trajetória de Arilson: ele ajudou a mostrar que o Carnaval não começa quando as escolas entram na avenida.

Ele acontece muito antes.

Está nos profissionais que trabalham nos barracões, nas pessoas que constroem alegorias e fantasias, nos compositores que disputam um samba-enredo, nos ensaios de quadra, nas comunidades e nos encontros que movimentam as escolas durante todo o ano.

Ao transformar parte dessa rotina em conteúdo, Arilson ajudou a colocar essas histórias diante de uma audiência que nem sempre teria acesso a elas.

Sua atuação também mostra como as redes sociais passaram a fazer parte da comunicação do Carnaval, aproximando as escolas de públicos mais jovens e criando novas formas de acompanhar uma manifestação cultural que atravessa gerações.

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Barbara Braga