12 de fevereiro de 2026

Afri News

Porteiro denuncia racismo após ser chamado de “negro sujo” e “sub-raça” por alunos e é demitido em escola particular

Rodnei Ferraz registrou boletim de ocorrência e afirma ter sido desligado após relatar as ofensas à direção; MPT apura possível retaliação

Barbara Braga | 12/02/2026
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- Crédito: @g1 | Colégio Objetivo

O que deveria ser um ambiente de formação e aprendizado virou palco de racismo explícito e de uma injustiça que contradiz os valores que se espera de uma escola. Em Campinas (SP), um porteiro de uma escola particular foi alvo de ataques racistas por parte de alunos, decidiu denunciar o episódio e, posteriormente, acabou desligado da instituição poucos dias depois.

O caso, que vem repercutindo entre movimentos sociais, sindicatos e órgãos de proteção ao trabalhador, traz à tona questões urgentes sobre racismo estrutural, proteção dos funcionários nos espaços educacionais e retaliação diante de denúncias justas de discriminação.

Segundo relato do próprio funcionário, identificado como Rodnei Ferraz, tudo aconteceu durante uma tarde em que alguns estudantes do ensino médio foram à escola para fazer provas de recuperação. Em meio à confusão, ele cumpria sua função de porteiro quando foi surpreendido por ofensas.

De acordo com a denúncia, os alunos o chamaram de “negro sujo”, “sub-raça” e outros termos racistas enquanto ele pedia disciplina e respeito no ambiente escolar. As palavras, carregadas de estigma e preconceito, não apenas feriram sua dignidade: também lembraram que o racismo ainda está longe de ser eliminado, mesmo em espaços educacionais que deveriam formar cidadania.

Denúncia formal e demissão: um desfecho que chocou a comunidade

Abalado e indignado, Rodnei fez o que muitas vítimas de racismo hesitam em fazer: registrou um boletim de ocorrência por injúria racial na Polícia Civil. Em seguida, comunicou oficialmente o ocorrido à direção da escola.

Em vez de acolhimento, proteção e um posicionamento institucional claro contra o racismo, ele foi surpreendido com outra notícia: seu contrato de trabalho foi rescindido poucos dias depois. O funcionário considerou isso uma retaliação por ter denunciado o caso, uma atitude que acende alertas sobre como denúncias legítimas podem ser tratadas como um “problema” a ser apagado, em vez de uma oportunidade de correção e aprendizado.

Em nota, o Colégio Objetivo afirmou repudiar qualquer ato discriminatório e negou relação entre o desligamento e a denúncia. “A acusação do funcionário foi apurada internamente, tendo os alunos negado a prática de qualquer ato racista; o desligamento do funcionário não teve qualquer ligação com os fatos”, declarou a instituição.

@g1 | Colégio Objetivo

O Ministério Público do Trabalho (MPT) abriu um procedimento para apurar a conduta da escola, especialmente no que diz respeito à proteção de funcionários e possíveis represálias por denunciar racismo.

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Barbara Braga