25 de fevereiro de 2026

Saúde

Polilaminina: como funciona o tratamento experimental que pode chegar ao SUS

Proteína brasileira em fase de testes clínicos surge como esperança para pessoas com lesão medular

Barbara Braga | 25/02/2026
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- Crédito: Cristália/Divulgação | Veja Saúde

Uma pesquisa desenvolvida no Brasil pode representar um avanço significativo no tratamento de lesões na medula espinhal. A polilaminina, proteína experimental voltada à regeneração neural, poderá ser distribuída gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) após aprovação regulatória da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

A informação foi confirmada pela pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, que participa do desenvolvimento da tecnologia. Segundo ela, existe a previsão de que, caso a substância receba o registro definitivo, o tratamento seja incorporado à rede pública, garantindo acesso universal e gratuito.

O que é a polilaminina?

A polilaminina é uma versão modificada da laminina, proteína naturalmente presente no organismo e essencial para a estrutura dos tecidos nervosos. O composto está sendo estudado como alternativa terapêutica para lesões medulares graves, condição que pode levar à paraplegia ou tetraplegia.

A pesquisa é conduzida por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro em parceria com o Laboratório Cristália. Os estudos clínicos em humanos estão na fase 1, etapa inicial voltada à avaliação de segurança e possíveis efeitos adversos.

Em fases anteriores e testes pré-clínicos, os resultados indicaram potencial regenerativo promissor, levantando expectativas na comunidade científica e entre pacientes que convivem com sequelas permanentes de traumas na medula.

O que falta para chegar ao SUS

Apesar do anúncio, a polilaminina ainda não tem aprovação definitiva para uso amplo. Para que seja incorporada ao SUS, será necessário concluir todas as etapas de testes clínicos (fases 2 e 3), comprovar eficácia terapêutica e obter o registro sanitário da Anvisa.

Somente após esse processo regulatório o Ministério da Saúde poderá formalizar a incorporação da tecnologia ao sistema público.

Caso seja aprovada, a distribuição pelo SUS representará não apenas um avanço médico, mas também um marco para a ciência brasileira. Em um cenário global em que tratamentos de alta complexidade costumam ter custos elevados, a promessa de gratuidade reforça o princípio constitucional da universalidade do sistema público de saúde.

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Barbara Braga