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Meta terá que pagar R$ 50 mil após não retirar ataques racistas contra Miss Milla Vieira
Decisão aponta descumprimento parcial de ordem judicial que determinava a retirada de conteúdos ofensivos
Ganhar um concurso de beleza deveria ser o momento de celebrar uma conquista. Para Milla Vieira, porém, a vitória no Miss Universe São Paulo 2024 também foi seguida por uma onda de ataques racistas nas redes sociais.
Agora, mais de dois anos depois da conquista, a Justiça de São Paulo determinou que a Meta, responsável pelo Instagram, pague R$ 50 mil à modelo por não ter cumprido integralmente uma ordem judicial que determinava a retirada de comentários racistas publicados contra ela.
A decisão foi tomada pela 2ª Vara Cível do Foro Regional do Tatuapé, em São Paulo, e ainda cabe recurso. O valor corresponde à multa estabelecida pelo descumprimento da determinação judicial, que já havia sido fixada anteriormente.
Milla representou São Bernardo do Campo no concurso estadual e foi eleita Miss Universe São Paulo em julho de 2024. A vitória, no entanto, rapidamente passou a ser acompanhada por comentários que tentavam diminuir seu mérito justamente por ser uma mulher negra.
Nas redes sociais, usuários questionaram o resultado e chegaram a atribuir sua vitória, de maneira pejorativa, a uma suposta “cota racial”. Outros comentários atacaram diretamente sua aparência e sua identidade.
Entre as mensagens que aparecem no processo estavam frases como “O resultado foi por cota?”, “Ganhou porque é negra” e ataques que chegaram a chamá-la de “Miss Cracolândia”.
Não se tratava apenas de opiniões sobre um concurso. Eram manifestações que buscavam deslegitimar a presença de uma mulher negra em um espaço de visibilidade, transformando sua identidade racial em argumento para questionar sua capacidade e sua conquista.
Diante dos ataques, Milla entrou na Justiça contra a Meta pedindo a retirada das publicações e a identificação dos responsáveis pelas mensagens.
Em uma decisão liminar, o Judiciário determinou que o Instagram retirasse quatro publicações consideradas agressivas e de cunho racista. A determinação também envolvia o fornecimento de informações relacionadas a 93 usuários apontados como responsáveis pelos comentários.
A defesa da modelo afirmou, posteriormente, que a plataforma não cumpriu integralmente a ordem. Parte dos conteúdos teria sido retirada, mas uma das publicações indicadas permaneceu disponível.
Segundo informações divulgadas sobre o processo, a Meta também informou que algumas contas não puderam ser localizadas porque teriam sido desativadas ou apagadas pelos próprios usuários, além de alegar a necessidade de informações adicionais em outros casos.
Foi diante desse cumprimento parcial que a defesa de Milla pediu a aplicação da multa prevista na decisão. O juiz Antonio Manssur Filho reconheceu o descumprimento e determinou a aplicação dos R$ 50 mil anteriormente estabelecidos. A decisão foi publicada em agosto de 2026.
Depois da decisão, Milla comemorou publicamente o resultado e afirmou que pretende transformar a experiência vivida em uma oportunidade de conscientização.
A modelo declarou que se sente feliz por poder utilizar a visibilidade e a voz conquistadas como Miss São Paulo para transformar uma experiência dolorosa em conscientização sobre o racismo nas redes.
Ainda durante o processo, Milla já havia deixado claro que não pretendia permitir que os ataques determinassem os rumos de sua carreira. Após registrar um boletim de ocorrência, a Polícia Civil também passou a investigar possíveis crimes de injúria racial e racismo relacionados às ofensas.
Um dos homens apontados como responsável por ofender a modelo, inclusive utilizando o termo “Miss Cracolândia”, foi localizado e prestou depoimento à polícia.
A investigação criminal e a ação civil são frentes distintas, mas fazem parte de uma mesma história: a tentativa de responsabilizar aqueles que transformaram a conquista de Milla em motivo para ataques racistas.




