3 de setembro de 2026

Afri News

Meta terá que pagar R$ 50 mil após não retirar ataques racistas contra Miss Milla Vieira

Decisão aponta descumprimento parcial de ordem judicial que determinava a retirada de conteúdos ofensivos

Barbara Braga | 02/09/2026
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- Crédito: @euangelicagarcia | @amillavieira | @_talyneribeiro

Ganhar um concurso de beleza deveria ser o momento de celebrar uma conquista. Para Milla Vieira, porém, a vitória no Miss Universe São Paulo 2024 também foi seguida por uma onda de ataques racistas nas redes sociais.

Agora, mais de dois anos depois da conquista, a Justiça de São Paulo determinou que a Meta, responsável pelo Instagram, pague R$ 50 mil à modelo por não ter cumprido integralmente uma ordem judicial que determinava a retirada de comentários racistas publicados contra ela.

A decisão foi tomada pela 2ª Vara Cível do Foro Regional do Tatuapé, em São Paulo, e ainda cabe recurso. O valor corresponde à multa estabelecida pelo descumprimento da determinação judicial, que já havia sido fixada anteriormente.

Milla representou São Bernardo do Campo no concurso estadual e foi eleita Miss Universe São Paulo em julho de 2024. A vitória, no entanto, rapidamente passou a ser acompanhada por comentários que tentavam diminuir seu mérito justamente por ser uma mulher negra.

Nas redes sociais, usuários questionaram o resultado e chegaram a atribuir sua vitória, de maneira pejorativa, a uma suposta “cota racial”. Outros comentários atacaram diretamente sua aparência e sua identidade.

Entre as mensagens que aparecem no processo estavam frases como “O resultado foi por cota?”, “Ganhou porque é negra” e ataques que chegaram a chamá-la de “Miss Cracolândia”.

Não se tratava apenas de opiniões sobre um concurso. Eram manifestações que buscavam deslegitimar a presença de uma mulher negra em um espaço de visibilidade, transformando sua identidade racial em argumento para questionar sua capacidade e sua conquista.

Diante dos ataques, Milla entrou na Justiça contra a Meta pedindo a retirada das publicações e a identificação dos responsáveis pelas mensagens.

Em uma decisão liminar, o Judiciário determinou que o Instagram retirasse quatro publicações consideradas agressivas e de cunho racista. A determinação também envolvia o fornecimento de informações relacionadas a 93 usuários apontados como responsáveis pelos comentários.

A defesa da modelo afirmou, posteriormente, que a plataforma não cumpriu integralmente a ordem. Parte dos conteúdos teria sido retirada, mas uma das publicações indicadas permaneceu disponível.

Segundo informações divulgadas sobre o processo, a Meta também informou que algumas contas não puderam ser localizadas porque teriam sido desativadas ou apagadas pelos próprios usuários, além de alegar a necessidade de informações adicionais em outros casos.

Foi diante desse cumprimento parcial que a defesa de Milla pediu a aplicação da multa prevista na decisão. O juiz Antonio Manssur Filho reconheceu o descumprimento e determinou a aplicação dos R$ 50 mil anteriormente estabelecidos. A decisão foi publicada em agosto de 2026.

Depois da decisão, Milla comemorou publicamente o resultado e afirmou que pretende transformar a experiência vivida em uma oportunidade de conscientização.

A modelo declarou que se sente feliz por poder utilizar a visibilidade e a voz conquistadas como Miss São Paulo para transformar uma experiência dolorosa em conscientização sobre o racismo nas redes.

Ainda durante o processo, Milla já havia deixado claro que não pretendia permitir que os ataques determinassem os rumos de sua carreira. Após registrar um boletim de ocorrência, a Polícia Civil também passou a investigar possíveis crimes de injúria racial e racismo relacionados às ofensas.

Um dos homens apontados como responsável por ofender a modelo, inclusive utilizando o termo “Miss Cracolândia”, foi localizado e prestou depoimento à polícia.

A investigação criminal e a ação civil são frentes distintas, mas fazem parte de uma mesma história: a tentativa de responsabilizar aqueles que transformaram a conquista de Milla em motivo para ataques racistas.

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Barbara Braga