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Melly responde ataques homofóbicos após show no Rock in Rio: “Não vou me esconder”
Cantora baiana se pronunciou nas redes sociais após receber comentários preconceituosos por compartilhar um momento de afeto com a namorada durante sua apresentação no festival
O que deveria ser lembrado como mais um momento de celebração da música e do afeto acabou revelando uma realidade que ainda acompanha artistas LGBTQIA+ no Brasil.
A cantora Melly usou as redes sociais para responder aos comentários homofóbicos que recebeu após sua apresentação no Rock in Rio 2026. Durante o show, a artista dividiu o palco com a namorada, Ana Lídia “Anoka” Furtado, em um momento de dança, cumplicidade e carinho que foi amplamente compartilhado pelo público presente no festival.
No entanto, a repercussão positiva veio acompanhada de uma onda de ataques nas redes sociais.
Em seu pronunciamento, Melly afirmou ter acordado assustada com a quantidade de comentários preconceituosos direcionados ao vídeo em que aparece dançando com Anoka. A cantora criticou a reação de parte dos internautas e reforçou que não pretende esconder sua relação ou deixar de viver seus afetos publicamente por causa do preconceito.
O palco como espaço de liberdade
Nos últimos anos, Melly se consolidou como uma das vozes mais interessantes da nova geração da música brasileira.
Misturando R&B, soul, música pop e influências da música negra contemporânea, a artista construiu uma trajetória marcada pela autenticidade e pela valorização de sua identidade.
Por isso, para quem acompanha sua carreira, o momento vivido no Rock in Rio não representou uma provocação ou estratégia para gerar repercussão. Foi simplesmente uma demonstração de afeto.
Um gesto comum para casais heterossexuais em shows, premiações e eventos públicos, mas que ainda desperta reações desproporcionais quando envolve pessoas LGBTQIA+.
Quando o afeto vira alvo
O episódio reacende uma discussão recorrente sobre a forma como demonstrações de carinho entre pessoas do mesmo gênero continuam sendo tratadas como algo controverso em determinados espaços.
Embora o Brasil tenha avançado em direitos civis e no reconhecimento legal da população LGBTQIA+, a violência simbólica e os discursos de ódio seguem presentes, especialmente nas redes sociais.
Nesse contexto, a resposta de Melly ultrapassa uma defesa individual. Ela dialoga com uma geração de artistas que tem utilizado sua visibilidade para afirmar que amar, existir e ocupar espaços públicos não deveria exigir coragem extraordinária. Deveria ser apenas um direito.
A presença de Melly e Anoka no palco também tem um peso simbólico importante. Historicamente, artistas negras e LGBTQIA+ enfrentam desafios adicionais dentro da indústria cultural, convivendo simultaneamente com estruturas de racismo, machismo e LGBTfobia.
Quando uma artista negra ocupa um dos maiores festivais do mundo e compartilha sua relação afetiva sem esconder quem é, ela amplia possibilidades de identificação para milhares de pessoas que raramente se veem representadas nesses espaços.
Por isso, a repercussão do episódio vai além de um vídeo viral. Ela fala sobre quem tem o direito de amar em público sem ser questionado. Sobre quem pode existir sem precisar justificar sua existência.
E sobre a importância de transformar grandes palcos em espaços onde a diversidade não seja apenas tolerada, mas celebrada.




