10 de setembro de 2026

Afri News

Interpol entra nas buscas por irmãos quilombolas desaparecidos há oito meses no Maranhão

Sem respostas desde janeiro, família de Ágatha e Allan ganha apoio internacional enquanto investigação tenta esclarecer o caso

Barbara Braga | 09/09/2026
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- Crédito: Reprodução

Há oito meses, a rotina da comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal (MA), foi interrompida por um desaparecimento que segue sem respostas. Desde o dia 4 de janeiro, Ágatha Isabelly Reis Lago, de 6 anos, e Allan Michael Reis Lago, de 4, não foram mais vistos.

Agora, em uma nova etapa da investigação, a Interpol passou a oferecer apoio ao caso, ampliando as possibilidades de cooperação internacional na tentativa de localizar as crianças.

A movimentação reacendeu a esperança da família, que há meses convive com a ausência de informações concretas sobre o paradeiro dos irmãos e com a angústia provocada pela falta de respostas.

Ágatha e Allan desapareceram enquanto estavam na comunidade onde viviam, na zona rural de Bacabal.

Desde então, o caso mobilizou uma das maiores operações de busca já realizadas na região. Equipes da Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, voluntários, cães farejadores, drones e aeronaves participaram das buscas em áreas de mata, rios e comunidades próximas. Apesar dos esforços, nenhum vestígio conclusivo foi encontrado.

Ao longo dos meses, a investigação passou a concentrar esforços em diferentes hipóteses, mas sem apresentar uma explicação definitiva para o desaparecimento das crianças.

A ausência de respostas transformou o caso em um símbolo da luta de famílias que buscam por crianças desaparecidas no Brasil, especialmente em territórios historicamente invisibilizados.

O que muda com a entrada da Interpol

Segundo informações divulgadas pela defesa da família, a Interpol disponibilizou ferramentas de cooperação internacional que poderão ser utilizadas caso surjam indícios de que as crianças estejam fora do país. O suporte também pode auxiliar em eventuais processos de identificação e repatriação, caso seja necessário.

A mãe das crianças, Clarice Cardoso, foi convocada para uma reunião com representantes do Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal, em São Luís, para receber orientações sobre os próximos passos da investigação.

A participação da organização internacional não significa que haja confirmação de tráfico humano ou de que os irmãos tenham deixado o Brasil. O apoio representa, sobretudo, uma ampliação das possibilidades de cruzamento de informações diante da ausência de pistas concretas após oito meses de investigação.

@g1 Maranhão – A Interpol ofereceu apoio às buscas pelos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desaparecidos há oito meses em Bacabal, no Maranhão, de acordo com a advogada da família. A organização colocou ferramentas de cooperação internacional à disposição do caso, o que pode auxiliar nas buscas caso surjam pistas de que as crianças estejam fora do Brasil. A mãe das crianças, Clarice Cardoso, deve se reunir nesta quarta-feira (9) com representantes do Núcleo de Cooperação Internacional na sede da Polícia Federal, em São Luís. O encontro deve servir para esclarecer como as ferramentas oferecidas pela Interpol poderão ser utilizadas nas buscas pelos irmãos. O apoio não significa, porém, que as crianças tenham sido encontradas. Também não há nenhum indício de que Ágatha e Allan estejam entre as 163 crianças resgatadas recentemente em uma operação nos Estados Unidos. ➡️As crianças desapareceram em 4 de janeiro de 2026, na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, a 250 km de São Luís. Desde então, não há informações sobre o paradeiro dos irmãos. Veja mais no #g1. #maranhão #interpol #irmãos ♬ som original – g1

A mobilização internacional ganhou força após a repercussão de uma operação realizada nos Estados Unidos que resgatou mais de uma centena de crianças e adolescentes vítimas de exploração e tráfico humano. A notícia levou familiares e advogados a buscarem informações sobre a possibilidade de crianças brasileiras estarem entre as vítimas encontradas.

Alguns veículos chegaram a mencionar a hipótese de que Ágatha e Allan pudessem estar entre as crianças resgatadas. No entanto, até o momento, não existe qualquer confirmação oficial que relacione os irmãos à operação norte-americana.

As autoridades seguem tratando essa possibilidade apenas como uma linha de verificação dentro de um conjunto maior de investigações.

Oito meses depois, a espera continua

Enquanto a investigação entra em uma nova fase, a família segue convivendo com a mesma pergunta que acompanha cada dia desde janeiro: onde estão Ágatha e Allan?

A chegada da Interpol representa uma nova possibilidade de avanço, mas também evidencia a complexidade de um caso que continua cercado de incertezas.

Oito meses depois, as buscas permanecem abertas. E, para quem espera pelo retorno das duas crianças, cada nova pista ainda carrega a esperança de transformar uma longa espera em reencontro.

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Barbara Braga