12 de setembro de 2026

Representatividade

Kenya Sade estampa capa da CAPRICHO e inspira nova geração: “Que elas se vejam donas da própria narrativa”

Jornalista e apresentadora relembra a falta de referências na adolescência e destaca o impacto de ocupar espaços capazes de ampliar os horizontes de uma nova geração

Barbara Braga | 11/09/2026
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- Crédito: @capricho | @sadeekenya | @camilatuon

Quando Kenya Sade era adolescente, a experiência de folhear as páginas da CAPRICHO era semelhante à de milhões de jovens brasileiras: acompanhar artistas, tendências e histórias que ajudavam a construir sonhos e referências. Mas havia uma diferença. Embora encontrasse inspiração em nomes como Taís Araújo e em profissionais do jornalismo, a apresentadora sentia falta de mulheres negras ocupando, com naturalidade, os espaços da cultura pop que tanto admirava.

Quinze anos depois, a cena mudou. Aos 30 anos, Kenya se tornou a protagonista da capa digital de setembro da revista e aproveitou a oportunidade para refletir sobre o papel da representatividade na construção da autoestima, da identidade e das possibilidades de futuro para meninas negras.

@capricho | @sadeekenya | @camilatuon

Na entrevista, a jornalista destacou que ocupar espaços de visibilidade vai além de uma conquista individual. Para ela, cada nova presença negra em lugares historicamente pouco acessíveis ajuda a expandir o imaginário de quem está crescendo e buscando referências.

Ao recordar sua adolescência, Kenya falou sobre a importância de enxergar pessoas parecidas consigo em posições de destaque. Hoje, ao ocupar uma capa de revista voltada para o público jovem, ela entende que também pode se tornar essa referência para outras meninas e mulheres negras.

A reflexão dialoga com uma discussão antiga sobre a presença de pessoas negras nos veículos de comunicação destinados ao público adolescente. Pesquisas acadêmicas que analisaram a representação de jovens negras na CAPRICHO ao longo dos anos apontam que a invisibilidade de corpos e estéticas negras foi uma realidade recorrente, impactando diretamente a construção do pertencimento racial e da autoestima de muitas leitoras.

Por isso, a capa de Kenya Sade carrega um significado que vai além da celebração de sua trajetória profissional. Ela simboliza uma mudança gradual na forma como a juventude negra tem sido representada nos espaços de mídia e entretenimento.

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Filha de mãe brasileira e pai angolano, Kenya construiu uma carreira marcada pela conexão entre comunicação, música e cultura negra. Ao longo dos últimos anos, tornou-se um dos principais rostos das transmissões de festivais, premiações e grandes eventos musicais da televisão brasileira, entrevistando artistas nacionais e internacionais e ajudando a aproximar diferentes gerações da cultura pop.

A música, aliás, ocupa um papel central em sua história. Durante a entrevista, ela relembrou as referências que fizeram parte de sua formação, passando por nomes como Milton Nascimento, Lauryn Hill, Bob Marley, Jovelina Pérola Negra e Elza Soares. Esse repertório, construído dentro de casa e alimentado ao longo da vida, ajudou a moldar não apenas sua relação com a arte, mas também sua visão de mundo.

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Barbara Braga