Música
James “Blood” Ulmer, pioneiro do jazz e do blues experimental, morre aos 86 anos
Guitarrista ajudou a expandir os limites do jazz moderno e influenciou gerações de músicos ao longo de mais de cinco décadas de carreira
O guitarrista, cantor e compositor James “Blood” Ulmer morreu aos 86 anos em Nova York. Ele faleceu no dia 03 de junho, mas a informação só foi confirmada pelos familiares do músico na última terça-feira (09). Ele é considerado uma das figuras mais influentes do jazz de vanguarda, Ulmer deixa um legado que ajudou a redefinir os limites entre jazz, blues, funk e música experimental.
Nascido em 1940, em St. Matthews, na Carolina do Sul, Ulmer cresceu em uma família ligada à música gospel e começou a tocar guitarra ainda na adolescência. Após passar por diferentes cidades dos Estados Unidos, estabeleceu-se em Nova York no fim da década de 1960, período em que iniciou sua aproximação com alguns dos principais nomes do jazz experimental da época.
Sua trajetória ganhou novo impulso ao conhecer o saxofonista Ornette Coleman, criador da teoria harmolódica. A colaboração entre os dois se tornou um dos capítulos mais importantes do jazz contemporâneo, com Ulmer aplicando os conceitos de liberdade harmônica e improvisação desenvolvidos por Coleman a uma sonoridade fortemente influenciada pelo blues elétrico.
Ao longo dos anos 1970 e 1980, o músico lançou álbuns que se tornaram referências do gênero, como Tales of Captain Black, Are You Glad to Be in America? e Free Lancing. Seus trabalhos combinaram improvisação livre, grooves de funk, rock e elementos do blues tradicional, criando uma linguagem própria que influenciou músicos de diferentes gerações.
Nas décadas seguintes, Ulmer continuou expandindo sua obra com projetos voltados ao blues. Em 2001, lançou Memphis Blood: The Sun Sessions, indicado ao Grammy e considerado um dos trabalhos mais importantes de sua carreira. O disco reafirmou sua capacidade de unir tradição e experimentação, aproximando públicos distintos sem abrir mão de sua identidade artística.
Além da produção musical, Ulmer foi reconhecido por sua influência sobre guitarristas e instrumentistas que buscaram novas formas de explorar o jazz e a música afro-americana. Sua obra é frequentemente citada como uma das mais originais do movimento de vanguarda surgido nos Estados Unidos na segunda metade do século XX.
“Para o mundo, James Blood Ulmer era uma lenda, um visionário e uma força musical cujo som era distinto e único. Para sua família, ele era seu professor, seu contador de histórias e uma fonte de força. Para Eva, sua esposa e companheira, James era seu porto seguro, seu herói e seu amado companheiro por 16 anos”, escreveu a família em comunicado. “Sua música era destemida, assim como seu espírito.”
A morte do artista gerou homenagens de músicos, produtores e instituições culturais ligadas ao jazz. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, James Blood Ulmer construiu uma discografia extensa e deixou uma contribuição duradoura para a música contemporânea, consolidando-se como um dos nomes mais inovadores de sua geração.
“O sentimento de perda, para mim e para muitos no meu círculo, é profundo”, escreveu Vernon Reid, guitarrista do Living Colour e produtor do álbum Memphis Blood de Ulmer, nas redes sociais . “Blood era único. Ele era feito da essência do Blues. Bruto. Puro. Elemental.”




