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Incêndio na UFPE destrói décadas de pesquisa e deixa prejuízo milionário
Prédio da Universidade Federal de Pernambuco abrigava pesquisas sobre câncer, Covid-19, autismo, genética e desenvolvimento de medicamentos. Prejuízo estimado ultrapassa R$ 100 milhões e pode representar a perda de até 20 anos de produção científica
Um incêndio de grandes proporções que atingiu a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife, na noite da última quarta-feira (7), não destruiu apenas paredes, equipamentos e laboratórios. O fogo atingiu um dos espaços dedicados à produção de conhecimento científico do país e deixou um rastro de perdas que pode levar anos para ser recuperado.
As chamas consumiram o prédio da antiga Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine), estrutura que concentrava laboratórios voltados para pesquisas nas áreas de fármacos, genética, informática e inovação terapêutica. No local também eram desenvolvidos estudos relacionados a câncer, Covid-19, autismo, TDAH, obesidade e doenças raras, temas que impactam diretamente a saúde e a qualidade de vida da população brasileira.
Apesar da gravidade do incêndio, não houve registro de feridos. Ainda assim, o saldo é considerado devastador pela comunidade acadêmica. O reitor da UFPE, Alfredo Gomes, estima que os prejuízos materiais cheguem a R$ 100 milhões, valor que inclui equipamentos científicos, insumos e materiais acumulados ao longo de décadas.
A destruição de anos de trabalho
Pesquisas científicas não são construídas da noite para o dia. Muitas dependem de anos de coleta de dados, experimentos, observações e armazenamento de amostras.
Segundo a universidade, o incêndio comprometeu informações, materiais e pesquisas acumuladas ao longo de aproximadamente duas décadas. Cerca de 80 dissertações e teses de pós-graduação também podem ter sido afetadas.
Além dos equipamentos destruídos, estudantes de iniciação científica, mestrado e doutorado perderam parte significativa de seus trabalhos acadêmicos, desenvolvidos ao longo de meses ou anos.
Em muitos casos, a reconstrução dessas pesquisas não depende apenas de recursos financeiros. Existem dados, amostras biológicas e processos experimentais que simplesmente não podem ser reproduzidos com facilidade.
Ciência pública sob ataque da vulnerabilidade
O episódio também reacende uma discussão antiga sobre as condições da pesquisa científica no Brasil.
Universidades públicas são responsáveis por grande parte da produção científica nacional e funcionam como centros de formação de pesquisadores, inovação tecnológica e desenvolvimento de soluções para desafios sociais e de saúde pública.
Quando um laboratório universitário é destruído, os impactos ultrapassam os muros da instituição. Eles atingem estudantes, pesquisadores, profissionais da saúde, comunidades atendidas por projetos acadêmicos e toda a sociedade que depende da ciência para enfrentar problemas coletivos.
No caso da UFPE, uma das mais importantes universidades do país, as perdas atingem diretamente pesquisas que poderiam contribuir para avanços em áreas estratégicas da medicina e da inovação tecnológica.
Investigação em andamento
A Polícia Federal instaurou um inquérito para investigar as causas do incêndio. Até o momento, não há conclusão sobre a origem das chamas. Peritos estiveram no local para iniciar os trabalhos de análise e coleta de informações.
O caso ganhou ainda mais repercussão porque este foi o terceiro incêndio registrado na UFPE em pouco mais de uma semana, o que aumentou os pedidos por esclarecimentos rápidos e rigorosos. Apesar disso, as autoridades afirmam que ainda é cedo para estabelecer qualquer relação entre os episódios.




