31 de março de 2026

Educação

IEMA abre primeira escola em território quilombola no Maranhão

Projeto une ensino médio e formação técnica na comunidade de Oitiua, em Alcântara

Barbara Braga | 31/03/2026
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- Crédito: Adê Holanda

No interior do Maranhão, um novo capítulo da educação brasileira começa a ser escrito dentro de um quilombo.

O Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão inaugurou, no dia 27 de março, o IEMA Pleno Quilombola de Alcântara, instalado na comunidade de Oitiua, na zona rural de Alcântara. A unidade é a primeira escola pública de ensino médio integral com formação técnica construída dentro de um território quilombola no país.

Mais do que uma nova estrutura, o espaço representa uma mudança de lógica: levar educação de qualidade para dentro de territórios historicamente marginalizados, e não o contrário.

Educação que respeita território e identidade

A escola nasce integrada à realidade da comunidade. Em vez de afastar os jovens de suas origens, o projeto fortalece a permanência no território, conectando ensino formal, cultura local e perspectivas de futuro.

Com cursos técnicos como Agroecologia e Informática para Internet, os estudantes passam a ter acesso a uma formação que dialoga tanto com o mercado de trabalho quanto com as demandas do próprio território.

Estrutura e impacto

O IEMA Quilombola inicia suas atividades atendendo cerca de 80 estudantes, com uma estrutura que inclui laboratórios, biblioteca, auditório e espaços esportivos.

É um modelo que amplia o acesso à educação profissional e tecnológica, antes concentrada em centros urbanos, e que pode impactar diretamente na redução da evasão escolar e na geração de oportunidades para a juventude quilombola.

A inauguração vai além do ensino. Ela representa uma política pública que reconhece o direito à educação de qualidade em comunidades tradicionais, historicamente excluídas dos grandes investimentos em ciência e tecnologia.

Ao ocupar esse espaço, o quilombo deixa de ser visto apenas como memória e passa a ser reconhecido também como território de inovação.

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Barbara Braga