6 de maio de 2026

Educação

Governo anuncia criação da Universidade Federal África-Brasil na Bahia

Nova instituição deve ser estruturada a partir do campus dos Malês, hoje vinculado à Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira

Barbara Braga | 06/05/2026
Thumbnail
- Crédito: UNILAB

O anúncio da criação da Universidade Federal África-Brasil (UFAB), na Bahia, marca mais do que a expansão do ensino superior público: reposiciona o país em uma agenda estratégica de cooperação com a África e com a diáspora negra.

A proposta, apresentada em 2026, prevê a estruturação da nova instituição a partir do campus dos Malês, em São Francisco do Conde, atualmente vinculado à Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB).

De campus a universidade

Na prática, o projeto aponta para a possível emancipação do campus baiano da UNILAB, transformando a estrutura já existente em uma universidade autônoma.

O movimento acompanha a ampliação da demanda por vagas, o fortalecimento de políticas de internacionalização e a necessidade de consolidar o Brasil como polo de formação conectado ao Sul Global.

Ainda não há cronograma oficial para a transição, que depende de etapas legais, administrativas e orçamentárias.

O que está em jogo

A UFAB nasce com foco direto em:

  • cooperação acadêmica com países africanos
  • ampliação de intercâmbios internacionais
  • formação voltada à diáspora africana

Diferente de modelos tradicionais, a proposta não trata a internacionalização como extensão, mas como base estrutural do projeto acadêmico.

A escolha de São Francisco do Conde não é apenas operacional. A Bahia concentra uma das maiores populações negras do Brasil, conexões históricas com o continente africano e uma base já consolidada de estudantes internacionais.

Com a UFAB, o estado tende a se consolidar como um dos principais centros de produção de conhecimento afro-diaspórico no país.

Criada em 2010, a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira foi pioneira ao propor integração acadêmica entre Brasil e países africanos de língua portuguesa.

Ao mesmo tempo, a instituição também enfrentou limitações estruturais, desafios de financiamento e instabilidades políticas.

TAGS:
AUTOR:
Barbara Braga