13 de fevereiro de 2026

África

Guiné-Bissau marca primeira participação olímpica de inverno em Milão-Cortina 2026

Com apenas 19 anos, Tang representa o país pela primeira vez no evento e marca um momento inédito para a presença africana nas Olimpíadas de Inverno

Barbara Braga | 13/02/2026
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- Crédito: Shutterstock

A Guiné-Bissau entrou para a história dos Jogos Olímpicos de Inverno em Milão-Cortina 2026 ao estrear oficialmente no maior evento esportivo do gelo e da neve, representada pelo esquiador alpino Winston Tang, de 19 anos, um marco que coloca o pequeno país africano entre as nações que desafiam tradições para buscar seu lugar no cenário global do esporte.

Tang competirá na prova de slalom alpino, uma das competições mais técnicas e exigentes do esqui, numa prova que reúne atletas experientes de diversas partes do mundo entre 6 e 22 de fevereiro de 2026.

Uma estreia que ecoa na África e além

A participação de Guiné-Bissau representa a primeira vez que a Federação de Esportes de Inverno do país é representada nos Jogos Olímpicos de Inverno, um feito que carrega simbolismo para uma nação tropical, longe das montanhas nevadas que tradicionalmente dominam as Olimpíadas de Inverno.

O jovem atleta nasceu em Utah, nos Estados Unidos, onde começou a esquiar aos dois anos, inspirando-se no pai, Thomas Tang, que também foi atleta olímpico em edições anteriores dos Jogos de Inverno pelo time de Chinese Taipei (Taiwan).

É só esquiar o melhor que eu posso, tentar chegar à segunda descida e ver como as coisas acontecem”, disse Winston Tang sobre sua participação, mostrando humildade e foco no aprendizado e na experiência olímpica, mais do que em resultados imediatos.

Herança familiar e ambição esportiva

A conexão entre pai e filho acrescenta ainda mais significado à estreia: Thomas Tang, hoje secretário-geral da Federação de Esportes de Inverno da Guiné-Bissau, competiu em Calgary 1988 e Albertville 1992 nas provas de giant slalom e super-G e agora acompanha o percurso do filho com orgulho.

Estou muito orgulhoso. O povo da Guiné-Bissau realmente nos apoia”, afirmou Thomas, ressaltando que a missão da federação é treinar mais atletas e expandir a presença do país em futuras edições dos Jogos, incluindo Paris-2026 nas montanhas da França.

Africa na neve: um contexto mais amplo

A presença de Guiné-Bissau em Milão-Cortina 2026 integra um contexto maior de atletas de países africanos quebrando barreiras em esportes de inverno. Ao todo, cerca de 14 atletas de oito nações africanas competem nesta edição dos Jogos, mostrando que esportes de inverno, embora não naturais a grande parte do continente, têm encontrado espaço entre competidores determinados e com identidades multiculturais.

O percurso africano nas Olimpíadas de Inverno começou há mais de 60 anos, com a presença da África do Sul em 1960, e desde então outras nações como Marrocos, Senegal, Eritreia, Benin e agora Guiné-Bissau continuam a desafiar expectativas e a ampliar o significado do que significa competir nos esportes de gelo.

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Barbara Braga