Música
Grammy Latino 2026: AJULIACOSTA, Emicida, Djavan, BK’, Luedji Luna e Budah estão entre brasileiros indicados
Artistas negros brasileiros aparecem em categorias que vão do rap e música urbana à MPB, samba, rock e produção audiovisual; confira os indicados e os destaques de cada nome
A música brasileira volta a ocupar espaço importante no Grammy Latino 2026. A Academia Latina da Gravação anunciou nesta quarta-feira (16) a lista de indicados à 27ª edição da premiação, que será realizada em 12 de novembro, em Las Vegas, nos Estados Unidos.
Entre os brasileiros, o recorte da Africanize destaca artistas negros que chegam à premiação com trabalhos lançados entre o período de elegibilidade e que atravessam diferentes territórios da música brasileira, do rap e R&B ao samba, rock, MPB, jazz e audiovisual.
Entre os principais nomes estão AJULIACOSTA, Emicida, Djavan, BK’, Luedji Luna, Budah, Urias, Black Pantera, Bia Ferreira, Leci Brandão, Xande de Pilares, Criolo, Amaro Freitas, Dino d’Santiago e L7nnon, entre outros.
A edição de 2026 também marca mudanças importantes no campo da música em língua portuguesa. Entre elas está a categoria de Melhor Álbum de Música Urbana em Língua Portuguesa, que passa a reconhecer o trabalho em formato de álbum dentro desse segmento.
Melhor Álbum de Música “Urban” em Língua Portuguesa
É aqui que está um dos principais recortes brasileiros desta edição.
AJULIACOSTA — “Novo Testamento”
AJULIACOSTA chega ao Grammy Latino com “Novo Testamento”, seu segundo álbum de estúdio.
Lançado em 2025, o disco tem 11 faixas e transita entre boombap, trap e R&B, com participações e produções de nomes como KL Jay, Maffalda, Nave e Mu540. Entre as faixas estão “Toc Toc Toc”, “Dharma”, “O Que a Julia Vai Ser?”, “Liberdade” e “Pense Como uma Diva”.
O álbum também consolida uma fase em que AJULIACOSTA amplia sua presença como compositora e artista dentro da nova geração do rap brasileiro.
BUDAH — “Frequência Lunar”
A capixaba BUDAH concorre com seu segundo álbum de estúdio, “Frequência Lunar”, lançado em maio de 2026.
O disco tem 14 faixas e reúne participações de IZA, Pabllo Vittar, Duquesa, Tasha & Tracie, AJULIACOSTA e Vita, além de outros nomes. Musicalmente, o projeto passa por rap, R&B, boombap, drill, ragga, house e pop contemporâneo.
O conceito do álbum parte da noite, das frequências sonoras e das fases da lua. É uma mudança de direção em relação ao primeiro disco, “Púrpura”, com uma sonoridade mais voltada para as pistas e para a experiência noturna.
Emicida — “Emicida Racional VL 2 – Mesmas Cores & Mesmos Valores”
Emicida concorre com “Emicida Racional VL 2 – Mesmas Cores & Mesmos Valores”, projeto lançado em dezembro de 2025.
O álbum estabelece um diálogo direto com o legado dos Racionais MC’s, especialmente com “Cores & Valores”, de 2014, e transforma essa referência em uma obra própria de Emicida.
Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa
Luedji Luna — “Antes Que A Terra Acabe”
Luedji Luna aparece entre os indicados com “Antes Que A Terra Acabe”, álbum lançado em junho de 2025.
O disco tem dez faixas e reúne participações de Seu Jorge, Arthur Verocai, Robert Glasper, Milton Nascimento, Alaíde Costa, Rapsody e MC Luanna, entre outros.
O trabalho foi lançado poucas semanas depois de “Um Mar Pra Cada Um”, criando uma sequência de dois álbuns em 2025. Musicalmente, Luedji transita pelo neo-soul, jazz, MPB e hip-hop.
A indicação também dá continuidade à presença recente da cantora no Grammy Latino. Em 2025, Luedji venceu a categoria de Melhor Álbum de Música Popular Brasileira/Música Afro-Portuguesa Brasileira com “Um Mar Pra Cada Um”.
Melhor Álbum de Rock ou de Música Alternativa em Língua Portuguesa
Black Pantera — “Resistência! Ao Vivo no Circo Voador”
O Black Pantera está indicado com “Resistência! Ao Vivo no Circo Voador”, registro audiovisual e musical gravado no tradicional palco carioca.
O grupo mineiro é formado por Chaene da Gama, Charles Gama e Rodrigo “Pancho” Augusto e construiu sua trajetória dentro do heavy metal, punk e hardcore, articulando música pesada e questões sociais. O projeto foi lançado em 2025 e registra a força da banda ao vivo.
Urias — “CARRANCA”
Urias concorre com “CARRANCA”, seu terceiro álbum de estúdio, lançado em outubro de 2025.
O projeto tem 14 faixas e reúne participações de Criolo, Don L, Major RD e Giovani Cidreira, além de uma composição inédita de Hyldon e Fábio, “Águas de Um Mar Azul”, resgatada por Urias cerca de cinco décadas depois de ter sido composta.
“CARRANCA” atravessa rap, R&B, jazz, música eletrônica e referências afro-brasileiras. O próprio conceito da carranca aparece como elemento ligado à proteção, ancestralidade e força.
Melhor Álbum de Samba/Pagode
Leci Brandão — “50 Anos de Carreira”
A indicação de Leci Brandão representa cinco décadas de uma trajetória fundamental para o samba brasileiro.
O projeto celebra os 50 anos de carreira da cantora e compositora, uma das figuras históricas do samba e também uma referência na defesa da cultura negra brasileira.
Xande de Pilares — “Nos Braços do Povo, Vol. 2 (Ao Vivo)”
Xande de Pilares concorre com o segundo volume de “Nos Braços do Povo”, projeto que reforça sua relação com o samba e o pagode.
Mosquito — “Quinhão”
Mosquito chega ao Grammy Latino 2026 com “Quinhão”, seu segundo álbum de carreira, lançado em julho de 2025. O disco reúne 10 faixas e foi produzido por Pretinho da Serrinha, um dos nomes importantes da produção do samba contemporâneo.
Teresa Cristina — “Jessé – As canções de Zeca Pagodinho”
Teresa Cristina também aparece entre as indicadas na categoria com “Jessé – As canções de Zeca Pagodinho”. Lançado em janeiro de 2026, o álbum reúne nove músicas e presta homenagem ao repertório de Zeca Pagodinho. A produção é assinada por Pretinho da Serrinha.
Melhor Álbum de Música Popular Brasileira/Música Afro-Portuguesa Brasileira
Criolo, Amaro Freitas e Dino d’Santiago — “CRIOLO, AMARO E DINO”
O projeto reúne Criolo, o pianista pernambucano Amaro Freitas e o cabo-verdiano Dino d’Santiago.
Lançado em janeiro de 2026, o álbum tem 12 faixas e cruza rap, jazz, MPB, morna e funaná, criando uma ponte entre diferentes tradições afro-atlânticas.
Entre as músicas estão “No Vento de Nós”, “Mama AFRIKA”, “Amazônia” e “Menina do Coco de Carité”.
Bia Ferreira — “Améfrica”
Bia Ferreira concorre com “Améfrica”, álbum construído em torno das conexões entre Brasil, América Latina, Caribe e África.
A própria artista apresenta o projeto como um trabalho sobre identidade, diáspora, memória e reconhecimento, entendendo a música como uma ponte entre povos separados pela colonização.
Pedro Emílio — “Vende-se Lembrança”
O álbum reúne nove faixas e conta com participações de Luedji Luna e Ryan Fidelis. Esta não é a primeira passagem do artista pelo Grammy Latino: Pedro Emílio já havia recebido uma indicação anteriormente.
Melhor Álbum de Cantor Compositor
Djavan — “Improviso”
Djavan concorre com “Improviso”, seu 26º álbum de estúdio.
Lançado em 2025, o disco reúne 12 canções autorais, sendo 11 inéditas. O trabalho foi produzido, arranjado e dirigido artisticamente pelo próprio Djavan.
“Improviso” também marcou seu primeiro lançamento em Dolby Atmos e ganhou edição em vinil. Em 2026, Djavan celebra 50 anos de carreira.
Melhor Álbum Instrumental
Hamilton de Holanda, Salomão Soares e Thiago Rabello — “NOVA”
Hamilton de Holanda, Salomão Soares e Thiago “Big” Rabello concorrem com “NOVA”.
O álbum é um novo trabalho do Hamilton de Holanda Trio e conta com participações internacionais de nomes como Anoushka Shankar, Ibrahim Maalouf e Pedrito Martinez. Salomão Soares assina o piano e também coautorias em faixas do projeto.
Andréa Ernest Dias, Aline Gonçalves, Eduardo Neves e Carlos Malta — “Obra Viva de Hermeto Pascoal – Vol. 1: Flautas”
O projeto revisita a obra de Hermeto Pascoal a partir do universo das flautas e reúne quatro músicos em torno do repertório do compositor alagoano.
Aline Gonçalves é o destaque negro dentro do projeto indicado, ao lado de Andréa Ernest Dias, Eduardo Neves e Carlos Malta.
Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa
João Gomes, Mestrinho e Jota.Pê — “Dominguinho Vol. 2 (Ao Vivo)”
O projeto reúne João Gomes, Mestrinho e Jota.Pê em uma colaboração que cruza diferentes gerações e linguagens da música brasileira.
Psirico — “Molho Lambão”
O Psirico leva para a categoria a força da música baiana e das tradições populares que atravessam o pagode baiano.
Zaynara — “Amor Perene”
Zaynara completa a categoria com “Amor Perene”, representando uma nova geração da música brasileira de raízes.
Melhor Canção em Língua Portuguesa
Urias — “Águas de Um Mar Azul”
Urias também aparece nesta categoria com “Águas de Um Mar Azul”, música composta por Hyldon e Fábio décadas atrás e registrada pela primeira vez por Urias em “CARRANCA”.
A música foi composta originalmente entre 1975 e 1976 e permaneceu inédita até ser resgatada pela cantora.
Criolo, Dino d’Santiago e Amaro Freitas — “No Vento de Nós”
A música integra o álbum “CRIOLO, AMARO E DINO” e representa justamente a proposta de encontro entre Brasil e Cabo Verde presente no projeto.
Carlinhos Brown — “Sua Onda”
Carlinhos Brown está entre os compositores de “Sua Onda”, ao lado de Arnaldo Antunes e Marisa Monte.
Melhor Canção “Urban”
“Relíquia do 2T”
A categoria reúne DJ GU, MC DKZIIN, MC FR da Norte, MC Joãozinho VT, MC Tuto e MC Vine7.
Melhor Vídeo Musical em Versão Curta
BK’ — “10 anos de Castelos & Ruínas”
BK’ aparece entre os indicados com o projeto audiovisual que celebra os 10 anos de “Castelos & Ruínas”, álbum que marcou sua trajetória no rap brasileiro.
O projeto comemorativo inclui um filme e apresentações especiais ao longo de 2026.
Melhor Vídeo Musical em Versão Longa
L7nnon — “Guerras Invisíveis”
L7nnon concorre na categoria de vídeo musical em versão longa com “Guerras Invisíveis”.
O projeto foi concebido como um filme, com direção de Thiago Eva e Kaique Alves, e reúne L7nnon, Jonathan Azevedo e outros nomes no elenco. A produção envolve Sweet Filmes, KondZilla, África Creative e Novo Traço.
Melhor Álbum de Música Cristã em Língua Portuguesa
Thalles Roberto — “Avenida do Arrependimento”
Thalles Roberto concorre com “Avenida do Arrependimento”, projeto que amplia sua presença dentro da música cristã brasileira.
Eli Soares — “Betel (Ao Vivo)”
Eli Soares também aparece na categoria com “Betel (Ao Vivo)”, levando sua trajetória dentro da música cristã brasileira para a premiação internacional.
Verboemcarne — “O Que Atravessa o Peito”
O grupo Verboemcarne completa a lista da categoria com “O Que Atravessa o Peito”.
Quando será o Grammy Latino 2026?
A 27ª edição do Grammy Latino acontece em 12 de novembro de 2026, no MGM Grand Garden Arena, em Las Vegas. A Academia Latina da Gravação anunciou a data e as mudanças de categorias antes da divulgação dos indicados.
A premiação reúne artistas e profissionais da música de diferentes países e, nesta edição, conta novamente com categorias específicas para a produção musical em língua portuguesa.




