30 de abril de 2026

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Fluminense denuncia racismo e homofobia contra Keké no Brasileirão Feminino

Atacante foi alvo de ofensas durante partida contra o Mixto Esporte Clube, em Cuiabá, jogo do Brasileirão feminino 2026

Barbara Braga | 30/04/2026
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- Crédito: Reprodução Canal UOL

O futebol brasileiro voltou a expor suas feridas mais profundas. Durante partida válida pela oitava rodada do Brasileirão Feminino, a atacante Keké, do Fluminense, foi alvo de ofensas racistas e homofóbicas enquanto estava em campo contra o Mixto Esporte Clube, no estádio Dutrinha, em Cuiabá.

O episódio ocorreu ainda durante o jogo e provocou reação imediata. Diante da gravidade das agressões, a arbitragem acionou o protocolo antirracista, interrompendo a partida. Em campo, companheiras de equipe demonstraram apoio à atleta, evidenciando que o impacto da violência não é individual, ele atravessa todo o coletivo.

Em nota oficial, o Fluminense repudiou o ocorrido e informou que o responsável foi identificado e encaminhado às autoridades. O clube também reforçou seu compromisso com o combate a qualquer forma de discriminação, além de prestar solidariedade à jogadora.

Mas o caso não se encerra na responsabilização de um torcedor. Ele escancara uma realidade estrutural: o futebol feminino ainda é um espaço onde corpos negros e dissidentes seguem sendo alvo de violência simbólica e direta. Quando o ataque combina racismo e homofobia, o que se revela é uma sobreposição de violências que atingem atletas em múltiplas dimensões.

A trajetória de jogadoras como Keké já é marcada por desafios históricos, da falta de investimento à desigualdade de visibilidade. Episódios como esse adicionam uma camada ainda mais dura: a necessidade de lidar com o preconceito em um ambiente que deveria ser de competição, respeito e profissionalismo.

O jogo seguiu após a paralisação, mas o que ficou foi o peso de mais um episódio que reforça um padrão. A repetição desses casos levanta questionamentos sobre a efetividade das medidas adotadas até aqui e sobre o compromisso das instituições esportivas em transformar, de fato, a cultura dentro e fora dos estádios.

O futebol brasileiro já dispõe de protocolos. Mas a pergunta que permanece é outra: até quando atletas precisarão interromper partidas para serem ouvidas?

Enquanto isso, a presença e a resistência de jogadoras negras seguem sendo, também, um ato político, dentro de campo, mas principalmente fora dele.

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Barbara Braga