Afri News
Entregador tem bicicleta destruída por guardas em Mogi das Cruzes, denuncia agressões e caso chega ao Ministério Público
Além de jogar veículo em vala, agentes teriam furado pneus e feito ameaças; episódio amplia debate sobre violência institucional contra trabalhadores
O caso do entregador que teve a bicicleta jogada em uma vala por agentes da Guarda Civil Municipal em Mogi das Cruzes, no São Paulo, ganhou novos desdobramentos, e um contorno ainda mais grave. Além das imagens que mostram o momento em que a bicicleta é arremessada, surgiram relatos de que os guardas teriam danificado o veículo antes da ação, incluindo o furo dos pneus, e que o jovem sofreu ameaças e agressões durante a abordagem.
Identificado como Alisson dos Santos, de 25 anos, o entregador utilizava a bicicleta como principal ferramenta de trabalho. Com o equipamento destruído, ele ficou impossibilitado de exercer sua atividade, escancarando o impacto direto da ação na sua sobrevivência.
Segundo o relato da vítima, os agentes também teriam levantado suspeitas de envolvimento com atividades ilícitas, uma acusação que, até o momento, não foi comprovada. O episódio levanta questionamentos sobre abordagens baseadas em suposições e estigmas, frequentemente direcionadas a trabalhadores periféricos.
Diante da repercussão, a prefeitura confirmou o afastamento de dois agentes e a abertura de uma sindicância para apurar a conduta. O caso, no entanto, ultrapassou a esfera administrativa e já foi encaminhado ao Ministério Público, que deve avaliar possíveis responsabilidades legais.
Os novos elementos apontam para uma ação que pode ter sido intencional e escalonada, envolvendo dano ao patrimônio, violência e abuso de autoridade. A sequência dos fatos reforça uma discussão recorrente: até que ponto a atuação de agentes públicos tem respeitado os limites legais, e quem responde quando esses limites são ultrapassados.
Com a investigação em andamento, o caso de Mogi das Cruzes se soma a outros episódios que colocam em xeque a atuação de forças de segurança no cotidiano urbano, especialmente quando o alvo são corpos e trajetórias historicamente atravessados por desigualdades.




