Carnaval
Escola Pérola Negra anuncia homenagem a Jovelina para o Carnaval 2027
Escola recém-promovida ao Grupo Especial vai contar a trajetória de uma das maiores vozes do samba e do partido-alto brasileiro
O Carnaval de 2027 já tem uma homenagem que promete emocionar sambistas, admiradores da cultura popular e amantes da música brasileira. A escola de samba Pérola Negra anunciou que levará para o Sambódromo do Anhembi o enredo “Sem Vacilar, Sem Me Exibir: Sou Jovelina, a Pérola Negra”, uma celebração da vida, da obra e do legado de Jovelina Pérola Negra, uma das artistas mais importantes da história do samba.
A escolha acontece em um momento simbólico para a agremiação. Após garantir seu retorno ao Grupo Especial de São Paulo, a Pérola Negra será a primeira escola a desfilar na sexta-feira de Carnaval de 2027 e apostará em uma narrativa profundamente ligada à memória da música negra brasileira.
Muito antes de se tornar uma referência nacional, Jovelina enfrentou a realidade de milhares de mulheres negras brasileiras: conciliava trabalho, maternidade e a paixão pela música em um ambiente historicamente dominado por homens.
Sua voz rouca, potente e inconfundível ajudou a redefinir o partido-alto nas décadas de 1980 e 1990. Em uma época em que poucas mulheres ocupavam espaços de protagonismo no samba, Jovelina construiu uma carreira marcada pela autenticidade, pela improvisação e pela valorização das raízes populares.
Canções como “Luz do Repente”, “Bagaço da Laranja” e “Feirinha da Pavuna” transformaram a artista em um dos nomes mais respeitados do samba brasileiro, abrindo caminhos para gerações de cantoras que vieram depois dela.
Uma homenagem que vai além da música
O enredo anunciado pela escola não pretende apenas revisitar sucessos da carreira da sambista. A proposta é contar a trajetória de uma mulher negra que transformou sua vivência em arte e ajudou a eternizar experiências da população periférica dentro da música brasileira.
A própria escolha do título do enredo carrega um significado especial. “Sem vacilar, sem me exibir” faz referência a um dos versos mais conhecidos de Jovelina e reforça características que marcaram sua trajetória: talento, firmeza e autenticidade.
Jovelina se tornou um símbolo de resistência cultural. Sua obra atravessa gerações porque fala sobre pertencimento, ancestralidade, cotidiano e orgulho de origem.
Nos últimos anos, os desfiles das escolas de samba têm ampliado o espaço dedicado a personagens negros que ajudaram a construir a identidade cultural do país. A homenagem a Jovelina reforça esse movimento ao colocar uma mulher negra, sambista e periférica no centro da narrativa carnavalesca.
Em um país onde tantas contribuições femininas negras ainda são invisibilizadas, ver a história de Jovelina ocupar o principal palco do Carnaval paulista representa também um gesto de reconhecimento histórico.




