11 de maio de 2026

Música

“EQUILIBRIVM”: Anitta convida Rincon Sapiência, Liniker e Luedji Luna em álbum atravessado por ancestralidade e espiritualidade

Novo álbum da cantora aposta em espiritualidade, identidade e sonoridades afro-brasileiras enquanto aproxima o pop global de artistas que há anos constroem outra narrativa para a música negra no Brasil

Barbara Braga | 11/05/2026
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- Crédito: @anitta | @linikeroficial | @luedjiluna | @rinconsapiencia | @naturabroficial | @latingrammys | @ruvenafanador | @jefdelgado

Durante muito tempo, a trajetória de Anitta foi marcada pela expansão internacional. O pop global.
As parcerias estrangeiras. A lógica do mercado internacional. A tentativa constante de transformar a artista brasileira em um produto de circulação mundial.

Mas em “EQUILIBRIVM”, parece existir outro movimento acontecendo. Menos preocupado em performar internacionalização e mais interessado em revisitar ancestralidade, espiritualidade, musicalidade afro-brasileira e identidade cultural.

E por isso as participações de Rincon Sapiência, Liniker e Luedji Luna sejam tão importantes dentro do álbum.

Porque os três artistas carregam justamente uma trajetória construída a partir da valorização de narrativas negras brasileiras que, durante anos, ficaram fora do centro do mercado pop.

Ancestralidade deixa de ser estética e vira estrutura

Desde os primeiros anúncios do projeto, “EQUILIBRIVM” passou a ser associado a referências ligadas ao:

  • candomblé
  • ritmos afro-diaspóricos
  • samba
  • ijexá
  • reggae
  • e espiritualidade afro-brasileira

Mas o ponto mais interessante talvez esteja na escolha de quem sustenta musicalmente esse discurso. Ao aproximar o álbum de artistas como Rincon, Liniker e Luedji, Anitta parece entender que não existe reconexão com ancestralidade sem diálogo com quem já constrói isso artisticamente há muito tempo.

Rincon Sapiência leva o rap periférico para dentro do universo pop

A presença de Rincon Sapiência ajuda a conectar “EQUILIBRIVM” a uma tradição musical negra urbana marcada por crítica social, afrofuturismo, estética periférica e experimentação sonora.

Ao longo da carreira, Rincon transformou referências africanas e afro-brasileiras em linguagem estética própria dentro do rap nacional. Sua participação no disco funciona quase como um lembrete:
antes da ancestralidade virar conceito de mercado, artistas negros independentes já vinham transformando isso em cultura viva.

Liniker e Luedji aproximam o álbum do afeto e da subjetividade negra

Já Liniker e Luedji Luna ajudam a levar o álbum para outro território: o da sensibilidade. As duas artistas se consolidaram na música brasileira contemporânea justamente por construir obras atravessadas por: memória, afetividade, ancestralidade, espiritualidade e experiências negras subjetivas.

No universo visual e conceitual de “EQUILIBRIVM”, essa presença ganha ainda mais força.

Especialmente no capítulo “Renascimento”, em que o álbum passa a explorar cura emocional, herança afro-brasileira e reconstrução simbólica através dessas vozes femininas negras.

Grande parte da repercussão em torno de “EQUILIBRIVM” aponta para a ideia de que este talvez seja o trabalho mais íntimo e brasileiro da carreira de Anitta.

E talvez isso tenha menos relação com estética e mais com escuta. Porque o álbum parece reconhecer algo importante, não existe retorno às raízes sem reconhecer quem sustentou essas raízes quando elas ainda estavam fora da vitrine principal da indústria.

Nesse sentido, Rincon Sapiência, Liniker e Luedji Luna não aparecem apenas como feats. Eles ajudam a sustentar a própria narrativa do disco.

E talvez seja justamente isso que faça “EQUILIBRIVM” ocupar um lugar diferente dentro da trajetória de Anitta: o de um álbum que tenta transformar ancestralidade não apenas em conceito visual, mas em construção coletiva.

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Barbara Braga