22 de outubro de 2026

Representatividade

Darllene Martins sai de contrato de 10 dias e se torna a primeira mulher trans líder na Bracell

Aos 31 anos, profissional chegou à liderança em menos de dois anos e quer inspirar outras pessoas trans a conquistarem espaço no mercado de trabalho

Barbara Braga | 22/10/2026
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- Crédito: Divulgação

Um contrato de apenas dez dias foi o começo de uma mudança importante na vida profissional de Darllene Martins, de 31 anos. Quase dois anos depois de entrar na Bracell como auxiliar de expedição, ela assumiu o cargo de Líder de Logística na unidade de produção de papel da empresa, em Lençóis Paulista, no interior de São Paulo. Com a promoção, tornou-se a primeira mulher trans a ocupar uma posição de liderança na companhia.

Antes de chegar à empresa, Darllene passou por diferentes trabalhos. Foi garçonete, recepcionista, atendente de telemarketing, atendente de padaria e também trabalhou na embalagem de produtos em uma fábrica de cadeiras. Foi justamente nesse último emprego que soube da oportunidade na Bracell.

A vaga, porém, exigia coragem. Para tentar uma nova possibilidade de crescimento, ela precisaria deixar um emprego formal e aceitar um contrato temporário de dez dias, sem garantia de permanência. Mesmo diante da incerteza, decidiu arriscar.

“Eu resolvi agarrar esta oportunidade porque queria muito crescer. Pouco a pouco, fui me destacando, como Auxiliar de Expedição, na área de Carregamento. Fui auxiliar destaque e, a cada dia, conquistando meu lugar”, conta.

O que parecia uma experiência de poucos dias acabou se transformando em uma oportunidade de construir uma carreira. O contrato foi prorrogado, Darllene foi efetivada e, aos poucos, passou a assumir novas responsabilidades. Até que surgiu a chance de disputar uma vaga de liderança por meio de um processo seletivo interno.

A aprovação marcou uma nova etapa de sua trajetória, e um feito inédito para a empresa.

“Eu até pensei: será que estou pronta? Fiz o processo seletivo com outras pessoas, passei e hoje sou a primeira mulher trans a ocupar uma posição de liderança na Bracell. Isso é mais uma honra”, afirma.

Uma conquista que vai além do cargo

Para Darllene, assumir a liderança significa mais do que avançar profissionalmente. A conquista também carrega o desejo de mostrar a outras pessoas trans que existem caminhos possíveis para construir uma carreira e ocupar espaços de decisão.

A representatividade ganha um significado especial quando pessoas que historicamente enfrentam barreiras no mercado de trabalho passam a ser vistas também em posições de liderança. Não se trata apenas de chegar a um cargo, mas de ampliar as referências para quem ainda procura oportunidades e nem sempre consegue se imaginar nesses lugares.

É esse tipo de perspectiva que Darllene quer levar para sua nova função. Ela espera que sua história incentive outras pessoas a acreditarem nas próprias possibilidades, sem que sua identidade de gênero seja um limite para seus objetivos profissionais.

“O que eu gostaria de levar é a bandeira da diversidade, da representatividade. A Bracell é, de fato, uma empresa diversa e inclusiva, que olha para as minorias e para o profissional. Quero representar esperança para que outras pessoas trans possam me ver como exemplo e pensar: se a Darlene conseguiu, eu também consigo”, destaca.

Os próximos passos de Darllene

A nova função não significa que Darllene tenha deixado de pensar nos próximos passos da carreira. Atualmente, ela cursa Gestão de Pessoas e tem interesse em trabalhar futuramente com Recrutamento e Seleção.

A escolha tem relação com o desejo de contribuir para que outras pessoas encontrem oportunidades profissionais. Depois de passar por diferentes empregos e apostar em uma vaga temporária que poderia durar apenas dez dias, ela conhece, na prática, como uma oportunidade pode mudar os rumos de uma trajetória.

Sua história também ajuda a colocar em discussão um desafio que vai além da contratação: pessoas trans precisam ter oportunidades não apenas para entrar no mercado de trabalho, mas também para permanecer, crescer e chegar a cargos de liderança.

No caso de Darllene, o caminho foi construído etapa por etapa, entre o aprendizado na operação, o reconhecimento profissional e a aprovação em um processo seletivo. Uma trajetória que ela resume sem perder de vista o tamanho da mudança.

“Entrei para um trabalho de dez dias e já vai fazer quase dois anos que estou aqui, crescendo, degrau por degrau. De auxiliar, alcancei um cargo de liderança”, resume.

Agora, como a primeira mulher trans a ocupar uma posição de liderança na Bracell, Darllene Martins quer transformar a própria conquista em referência para outras pessoas. Afinal, o trabalho que começou com prazo para terminar se tornou uma história sobre crescimento, novas possibilidades e a importância de poder se enxergar nos lugares que se deseja alcançar.

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Barbara Braga