Representatividade
Dudu Nobre e Dona Anita são homenageados pela CUFA no Dia da Favela
Celebração acontece de 4 a 10 de novembro, mobiliza mais de 5 mil favelas pelo Brasil e destaca a contribuição da família Nobre para a cultura e a valorização desses territórios
A Central Única das Favelas (CUFA) anunciou Dudu Nobre e Dona Anita Nobre como homenageados da Semana da Favela 2026, iniciativa que busca ampliar o reconhecimento da importância social, cultural e econômica das favelas brasileiras. A programação começa em 4 de novembro, Dia da Favela, e segue até o dia 10, com mobilização em mais de 5 mil favelas onde a organização está presente.
A escolha do sambista e compositor e de sua mãe reconhece a trajetória de uma família que construiu vínculos com o samba e com a valorização dos territórios populares. A homenagem a Dona Anita Nobre, que morreu em agosto deste ano, também representa um reconhecimento póstumo de sua contribuição para a cultura brasileira e para a história musical da família.
A relação de Dona Anita com o samba atravessa a formação artística de Dudu Nobre. Ao lado de João Nobre, ela participou de encontros e rodas de samba no Rio de Janeiro, ajudando a manter viva uma tradição que reúne gerações de músicos e fortalece a identidade cultural das comunidades. Foi também ela quem presenteou o filho com seu primeiro cavaquinho, quando ele ainda era criança.
Dia da Favela: da história ao reconhecimento
A escolha do 4 de novembro remonta a 1900, quando a palavra “favela” apareceu em um documento oficial do Rio de Janeiro. O termo foi registrado em um relatório enviado pelo delegado da 10ª Circunscrição Policial ao chefe de polícia, em referência ao Morro da Providência, território ocupado, naquele período, por soldados que retornavam da Guerra de Canudos.
Décadas depois, a data passou a ser mobilizada para destacar uma perspectiva diferente sobre as favelas. A CUFA teve participação direta nesse processo de reconhecimento, contribuindo para que o Dia da Favela se tornasse lei municipal no Rio de Janeiro, em 2006, e lei estadual, em 2019. São Paulo também reconheceu a data em 2015.
A proposta é deslocar o olhar que historicamente associa esses territórios apenas à violência e à vulnerabilidade, colocando em evidência suas expressões artísticas, iniciativas econômicas, conhecimentos, redes de solidariedade e formas de organização comunitária. As favelas são espaços de produção cultural e de criação de soluções para desafios que atravessam a vida de milhões de brasileiros.
Arte, memória e protagonismo
Para a presidente da CUFA Nacional, Kalyne Lima, a Semana da Favela é uma oportunidade de reconhecer a potência que já existe nesses territórios e valorizar quem contribui para amplificar suas vozes.
“O Dia da Favela e a Semana da Favela nasceram da necessidade de mostrar ao Brasil que os nossos territórios são nascentes de linguagem, arte, economia e soluções”, afirma Kalyne.
A dirigente também destaca que a homenagem a Dudu Nobre e Dona Anita representa um gesto de reconhecimento a uma família que mantém uma relação próxima com a organização e utiliza a arte, a militância e a própria vivência para fortalecer a presença das favelas no debate público.
Ao dedicar a edição de 2026 à família Nobre, a CUFA aproxima memória, música e identidade territorial. A homenagem também reforça o papel do samba como expressão cultural construída coletivamente, capaz de preservar histórias, criar pertencimento e ampliar a representação das comunidades populares.
Entre os dias 4 e 10 de novembro, a Semana da Favela pretende dar visibilidade a essa diversidade em diferentes regiões do país. Mais do que uma celebração de uma data, a iniciativa convida a sociedade a reconhecer as favelas como territórios de talento, resistência, criatividade e transformação.




