6 de fevereiro de 2026

Saúde

Bo Jackson revela diagnóstico de câncer de próstata e reforça importância do cuidado com a saúde masculina

Ídolo histórico da NFL e da MLB diz que passou por cirurgia há três meses e decide quebrar o silêncio para incentivar homens a fazerem exames

Barbara Braga | 06/02/2026
Thumbnail
- Crédito: The Dan Patrick Show

O ex-atleta Bo Jackson, um dos nomes mais icônicos da história do esporte nos Estados Unidos, revelou que foi diagnosticado com câncer de próstata e passou por uma cirurgia para retirada da glândula. Aos 63 anos, Jackson contou que decidiu tornar o diagnóstico público como forma de incentivar outros homens a cuidarem da própria saúde e a não adiarem exames preventivos, um tema que ainda carrega tabus e resistência em diferentes culturas.

A revelação foi feita durante participação no programa The Dan Patrick Show, no qual Bo Jackson afirmou que hoje se considera um sobrevivente. Segundo ele, o procedimento cirúrgico aconteceu há cerca de três meses e, apesar do impacto da notícia, a decisão de falar sobre o assunto veio do entendimento de que o silêncio em torno da saúde masculina pode custar caro. Em um trecho que repercutiu amplamente, o ex-atleta afirmou que muitos homens só conversam sobre esse tipo de tema “dentro do consultório médico”.

No relato, Jackson também mencionou motivos pessoais para compartilhar a experiência: ele disse que quer estar presente para seus dois netos e que a doença o fez refletir sobre o tempo, o corpo e a necessidade de encarar a prevenção com seriedade. A fala ganhou destaque não apenas pelo peso do nome, mas por tocar em um ponto recorrente: a forma como o machismo e a cultura da invulnerabilidade ainda afastam muitos homens de consultas e exames de rotina.

Bo Jackson é um caso singular na história esportiva: ele foi All-Star na NFL e na MLB, um feito raro que o consolidou como lenda em duas das principais ligas dos Estados Unidos. Mesmo após a aposentadoria, seu nome segue associado a excelência atlética, disciplina e força física, exatamente por isso, seu diagnóstico teve grande impacto público. Ao trazer o tema para o centro da conversa, ele ajuda a deslocar a ideia de que saúde é apenas performance e reforça que prevenção é parte do cuidado com a vida.

Câncer de próstata: por que a prevenção é decisiva

O caso de Bo Jackson também reacende a atenção para o câncer de próstata, um dos tipos mais comuns entre homens no mundo e, ao mesmo tempo, um dos que têm maiores chances de cura quando diagnosticado precocemente. O desafio é que, em muitos casos, a doença evolui de forma silenciosa nos estágios iniciais, o que torna o rastreamento um dos principais aliados da saúde masculina.

Em geral, recomenda-se que homens a partir dos 50 anos conversem com um urologista sobre acompanhamento preventivo. Para homens negros e para quem tem histórico familiar (pai, irmão ou avô), a orientação costuma ser iniciar esse acompanhamento mais cedo, por volta dos 45 anos e, dependendo do caso, até antes. A recomendação pode variar, mas o princípio é o mesmo: avaliar riscos e não esperar sintomas aparecerem.

Os principais exames utilizados no rastreamento são o PSA (exame de sangue) e o toque retal. O PSA mede um marcador que pode se alterar por diferentes razões, nem sempre câncer, mas funciona como um sinal de alerta. Já o toque retal, apesar do tabu, segue sendo um exame importante, porque pode detectar alterações que o PSA não identifica. Se houver suspeita, o médico pode solicitar exames complementares como ressonância magnética e, em alguns casos, biópsia.

Quando o câncer de próstata apresenta sintomas, eles podem incluir dificuldade para urinar, jato fraco, aumento da frequência urinária (principalmente à noite) e sensação de bexiga cheia mesmo após urinar. Esses sinais, no entanto, também podem estar associados a outras condições comuns, como a hiperplasia benigna da próstata, o que reforça a importância de investigação médica e exames regulares. Em estágios

Ao transformar sua experiência pessoal em mensagem pública, Bo Jackson também contribui para romper um ciclo de silêncio que afeta especialmente homens em contextos atravessados por desigualdade. Nos Estados Unidos, pesquisas e entidades médicas apontam que homens negros costumam enfrentar maior risco de diagnóstico tardio e mortalidade por câncer de próstata, um cenário ligado não apenas a fatores biológicos, mas também a barreiras de acesso, racismo estrutural na saúde e menor acompanhamento preventivo.

TAGS:
AUTOR:
Barbara Braga