12 de fevereiro de 2026

Esportes

Barcelona publica pesquisa sobre ocorrência de lesões durante o período menstrual

Pesquisa inédita com jogadoras do clube espanhol explica que lesões durante a menstruação não são mais frequentes, mas podem ter impacto mais severo

Barbara Braga | 12/02/2026
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- Crédito: @fcbfemeni

O futebol feminino segue avançando dentro e fora de campo, e desta vez, quem está abrindo uma nova frente de conhecimento sobre o corpo das jogadoras é o Barcelona FC. Por meio do Barça Innovation Hub, o clube catalão publicou um estudo que investigou durante quatro temporadas se existe alguma relação entre o ciclo menstrual e a ocorrência de lesões em atletas de alto rendimento.

Os números não deixam dúvidas: o risco de se machucar durante o período menstrual é similar ao das demais fases do ciclo. No entanto, quando uma lesão acontece enquanto a jogadora está menstruando, ela pode ter um impacto muito maior do que nos outros períodos, resultando em tempo de recuperação mais longo e mais dias longe de treinos e jogos.

Lesões não são mais comuns, mas podem ser mais severas

O estudo acompanhou 33 jogadoras de futebol feminino de elite e analisou quase 80 lesões ao longo de quatro temporadas. Cerca de 13,7% dessas lesões ocorreram durante a menstruação, uma proporção que, por si só, não indica maior propensão a machucados nesse período.

O que surpreendeu os pesquisadores foi a gravidade e o tempo de recuperação desses episódios. Lesões que aconteceram durante o ciclo menstrual exigiram, em média, mais que o triplo de dias de afastamento comparado às que ocorreram em outras fases do mês.

Esse dado é um alerta importante: não é a presença da menstruação que torna a atleta mais vulnerável a se machucar, mas sim que o corpo feminino pode responder de maneira diferente à lesão durante esse período, possivelmente por causa de variações hormonais que influenciam reparação muscular, metabolismo e resposta ao estresse físico.

Uma mudança de perspectiva no futebol feminino

A pesquisa do Barcelona FC representa um passo importante para uma discussão que há muito tempo tem sido negligenciada: a saúde da mulher no esporte de alto rendimento não pode ser tratada com modelos baseados no corpo masculino.

Durante décadas, treinadores, clubes e profissionais de saúde simplesmente ignoraram o ciclo menstrual na hora de estruturar cargas de treino, prevenção de lesões ou planos de recuperação. Estudar o corpo feminino em seus próprios termos é, em si, uma forma de reconhecimento de que as mulheres não são “versões menores” dos homens, mas atletas que merecem abordagens específicas e personalizadas.

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Barbara Braga