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Ateliê Xongani retorna à moda com nova coleção “Fundamento”, feita em alumínio reciclado
Após três anos de pausa, marca criada por Ana Paula Xongani e Cris Mendonça inaugura nova fase com coleção que une autoralidade, sustentabilidade e durabilidade
Depois de três anos de pausa, o Ateliê Xongani está de volta à moda e o retorno acontece olhando para o futuro sem abrir mão das raízes que ajudaram a construir a identidade da marca.
A retomada vem acompanhada de “Fundamento”, nova coleção desenvolvida em alumínio reciclado e infinitamente reciclável, material escolhido como parte central da proposta dessa nova fase. O pré-lançamento aconteceu em 7 de agosto, marcando o reencontro da Xongani com um território que ocupa há anos: o de criar moda a partir de identidade, memória e expressão negra.
Mais do que apresentar novos produtos, o lançamento representa um recomeço para a marca autoral brasileira, criada por Ana Paula Xongani e Cris Mendonça, mãe e filha que transformaram a moda em uma ferramenta de construção de autoestima, pertencimento e novas narrativas sobre corpos negros.
Um retorno que parte do fundamento
O próprio nome da coleção ajuda a traduzir o momento vivido pela marca.
“Fundamento” aponta para aquilo que permanece quando todo o resto muda: os princípios, as referências e a identidade que sustentam uma trajetória. Depois de um período longe da produção de moda, o Ateliê Xongani retorna justamente revisitando aquilo que está na base de sua existência.
A marca foi criada a partir da parceria entre Ana Paula e sua mãe, Cris Mendonça, e construiu sua trajetória valorizando a moda afro-brasileira, a diversidade de corpos e a criação de peças capazes de comunicar identidade.
Para Ana Paula, o Ateliê foi também o ponto de partida de sua trajetória profissional. A própria empresária define a marca como um espaço de compartilhamento de criatividade, saberes, propósito e fortalecimento de identidade. Agora, esses fundamentos aparecem em uma coleção que propõe uma nova relação entre estética e materialidade.
A escolha do alumínio reciclado não é apenas uma decisão estética.
O material sustenta três pilares definidos para o retorno da Xongani: autoralidade, sustentabilidade e durabilidade. A proposta é aproximar o design produzido pela marca de uma lógica mais conectada à circularidade, utilizando um material que pode ser reciclado continuamente.
Essa escolha também acompanha uma discussão cada vez mais presente na moda: como produzir peças desejáveis sem ignorar os impactos provocados pela indústria e pelo consumo?
Ao colocar a sustentabilidade dentro da concepção da coleção, a Xongani propõe que pensar o futuro da moda também passa por repensar os materiais, os processos e a própria relação que construímos com aquilo que vestimos e usamos.
Moda negra também é criação de futuro
A trajetória do Ateliê Xongani está diretamente ligada à construção de novas possibilidades para a representação negra na moda brasileira.
Desde sua criação, a marca trabalha com a ideia de valorizar a beleza e a identidade de pessoas negras. O nome Xongani vem do changana, língua falada no sul de Moçambique, e carrega o significado de “enfeite-se” ou “fique bonita”. A palavra traduz parte da filosofia que acompanha o trabalho de Ana Paula desde o início: vestir-se também pode ser uma forma de afirmar quem se é.
Essa perspectiva aparece também na maneira como a empresa pensa sua produção. Segundo o próprio Ateliê, a marca prioriza a contratação de mulheres pretas e define seus produtos como feitos por “mãos pretas”, relacionando moda, trabalho e impacto social.
Por isso, o retorno não acontece em um mercado neutro. Ele acontece a partir de uma história construída por empreendedoras negras, em um setor no qual identidade, acesso e sustentabilidade também atravessam questões econômicas e sociais.
De mãe para filha
A história do Ateliê Xongani também é uma história de ancestralidade e continuidade.
A parceria entre Ana Paula Xongani e Cris Mendonça está na origem da marca e atravessa sua trajetória. Antes mesmo da criação do Ateliê, Cris já tinha uma relação próxima com a criação manual e com a produção de suas próprias roupas. A partir dessa experiência, mãe e filha encontraram na moda um território para transformar criatividade e identidade em negócio.
Ana Paula, por sua vez, levou essa construção para diferentes espaços. Hoje, além da atuação ligada ao Ateliê, trabalha com comunicação, criação de conteúdo, empreendedorismo e apresentação, ampliando as narrativas sobre pessoas negras e ocupando diferentes lugares na indústria criativa.
Nesse sentido, Fundamento também carrega uma dimensão simbólica: é uma coleção que parte de uma história construída por duas gerações para projetar novos caminhos.




@ateliexongani
Uma nova fase para a Xongani
O retorno do Ateliê acontece em um momento em que a moda brasileira discute cada vez mais sustentabilidade, circularidade, identidade e responsabilidade na produção. Mas a Xongani chega a essa conversa trazendo uma trajetória própria. A marca não começa agora a discutir identidade negra ou a questionar os padrões tradicionais da moda. Esses elementos fazem parte de sua construção desde o início.
O que muda é a forma de materializar esses valores. Com “Fundamento”, o Ateliê Xongani transforma o retorno em oportunidade para experimentar novos materiais e reafirmar uma ideia que acompanha sua história: moda também pode ser memória, identidade, trabalho, beleza e transformação.
Depois de três anos de pausa, a marca volta não para repetir o que já fez, mas para descobrir o que pode construir a partir de tudo aquilo que já sabe que é essencial.




