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Delivery das Favelas mira 8 mil pedidos por dia em 2026, apostando em tecnologia e inclusão para levar entregas onde grandes plataformas não chegam
Criada por Anderson Marcelo a partir de uma experiência pessoal, startup aposta na tecnologia para conectar empresas, consumidores e territórios populares
Durante anos, moradores de favelas e periferias brasileiras enfrentaram uma dificuldade que ia além da distância: a impossibilidade de receber produtos e serviços por conta de barreiras logísticas. Foi dessa realidade que nasceu o Delivery das Favelas, startup criada pelo empreendedor Anderson Marcelo que transformou uma experiência pessoal em uma solução de impacto e agora projeta alcançar 8 mil pedidos por dia em 2026.
A empresa surgiu no fim de 2021 depois que Anderson vivenciou, na própria rotina, as limitações dos sistemas tradicionais de entrega. Morador de comunidades no Rio de Janeiro, ele percebeu como a ausência de cobertura em determinados territórios afetava diretamente o acesso de milhares de pessoas ao comércio digital e aos serviços de delivery.
“Já morei em duas favelas no Rio de Janeiro e senti a dor do que é não conseguir pedir em uma plataforma de delivery ou mesmo não ter o endereço contemplado nas entregas de e-commerce”, relembra o fundador.

Anderson Marcelo criou a Delivery das Favelas em 2021. Foto: Reprodução
A partir desse cenário, o Delivery das Favelas nasceu com uma proposta simples, mas necessária: entregar onde outros operadores logísticos não conseguem chegar. A startup atua conectando empresas, consumidores e entregadores locais, criando uma rede que entende as particularidades dos territórios e amplia o acesso ao mercado.
Atualmente, o negócio está presente no Rio de Janeiro e em São Paulo, com planos de expansão para Recife, Salvador e Espírito Santo. O crescimento da empresa acompanha uma transformação no olhar sobre as periferias brasileiras, que deixam de ser vistas apenas como desafios operacionais e passam a ser reconhecidas como territórios de consumo, empreendedorismo e inovação.
A trajetória da startup também ganhou força por meio do Ginga Afrotech Hub, iniciativa do Sebrae-SP criada para fortalecer o ecossistema de negócios liderados por pessoas negras, conectando tecnologia, diversidade e novas oportunidades de mercado.
Participante do programa Ginga Imerso, voltado para empreendedores com modelos de negócio já validados, o Delivery das Favelas recebeu mentorias, acompanhamento estratégico e oportunidades de conexão com empresas e especialistas do setor.
Um dos momentos mais importantes dessa jornada aconteceu durante a São Paulo Innovation Week (SPIW), quando a startup ampliou sua rede de contatos e se aproximou de grandes marcas interessadas em soluções para ampliar a presença dentro das comunidades.
“Estar no SPIW nos proporcionou conexões com grandes empresas interessadas em realizar entregas dentro das favelas. Poucos dias após o evento, fechamos contrato com uma grande empresa do setor de bebidas e iniciamos operações em cinco novos territórios”, afirma Anderson.
Para além dos números e da expansão, a história do Delivery das Favelas representa uma mudança de perspectiva sobre quem cria tecnologia e para quais públicos essas soluções são pensadas. O negócio nasce da experiência de quem conhece os obstáculos dos territórios populares e transforma esse conhecimento em ferramenta de inclusão.
Segundo o Sebrae-SP, iniciativas como essa mostram a importância de criar caminhos específicos para apoiar empreendedores negros dentro do ecossistema de inovação. O acompanhamento, as mentorias e o acesso a novos mercados são considerados fundamentais para que negócios liderados por pessoas negras possam crescer e conquistar novos espaços.
Ao unir tecnologia, logística e potência periférica, o Delivery das Favelas reforça uma mensagem que atravessa sua própria história: comunidades não são lugares onde a inovação precisa chegar, mas lugares onde soluções inovadoras também são criadas.
Com a meta de atingir 8 mil pedidos diários em 2026, a startup segue ampliando sua atuação e mostrando que a transformação do mercado também passa por ouvir territórios que durante muito tempo foram deixados fora das rotas tradicionais.




