22 de junho de 2026

Representatividade

As raízes de MC Soffia e o legado feminino que atravessa gerações: “Cada passo que eu dou carrega um pouco da história delas”

Artista destaca o papel da mãe, das avós e da tia na construção de sua identidade, carreira e visão de mundo

Barbara Braga | 22/06/2026
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- Crédito: Divulgação

Muito antes de se tornar uma das vozes mais potentes da música brasileira contemporânea, MC Soffia já aprendia sobre força, resistência e pertencimento dentro de casa.

Por trás da artista que conquistou o país com discursos de autoestima negra, combate ao racismo e valorização da identidade estão mulheres que ajudaram a construir não apenas sua carreira, mas também sua forma de ocupar o mundo. Mãe, tia e avós participam ativamente de sua trajetória profissional e representam uma rede de apoio que atravessa gerações.

Ao longo dos últimos 15 anos, Soffia consolidou seu nome como uma das principais referências da nova geração do rap nacional. Mas, para ela, as maiores inspirações sempre estiveram mais próximas do que o público imagina.

“Às vezes a gente fica procurando referências em outras artistas e em outras pessoas. Quando eu olho para elas, vejo que são minhas maiores referências. São exemplos da mulher que quero ser, da mãe que quero ser, da avó que quero ser e da artista que quero ser”, afirma.

Essa presença feminina também faz parte do dia a dia da carreira da cantora. Sua mãe, Kamilah Pimentel, é responsável pelo gerenciamento artístico. A tia, Potira Caruana, atua na produção executiva e no administrativo. Já as avós, Yessame Gregório e Lucia Makena, colaboram em diferentes frentes, do apoio nos eventos à comunicação e produção de conteúdo.

A conexão com essas mulheres acompanha Soffia desde a infância. Entre as lembranças mais marcantes estão os momentos na cozinha ao lado da avó paterna, cantando enquanto preparavam refeições juntas. Já a avó materna teve papel fundamental na formação crítica da artista, contribuindo para reflexões sobre racismo, identidade negra e os desafios enfrentados por mulheres negras na sociedade brasileira.

Crescer cercada por essas referências foi determinante para que a cantora desenvolvesse a consciência social que hoje marca sua obra.

“Quando eu passava por situações difíceis, principalmente relacionadas ao racismo, encontrava acolhimento dentro de casa. Isso fez toda a diferença”, relembra.

A trajetória de MC Soffia começou ainda na infância, quando ingressou no projeto “O Futuro do Hip Hop” e escreveu suas primeiras rimas. Anos depois, músicas como “Menina Pretinha” transformaram sua voz em símbolo de representatividade para milhares de jovens negras em todo o país.

Hoje, em uma fase de amadurecimento artístico evidenciada pelo álbum “Soffisticada”, a rapper amplia seus horizontes musicais sem se afastar das raízes que ajudaram a moldar sua identidade.

Ao olhar para o próprio caminho, Soffia enxerga uma história construída a muitas mãos.

“Quando penso na minha trajetória, penso nelas. Cada passo que eu dou carrega um pouco da história dessas mulheres. Tudo o que construí até aqui também tem a marca delas.”

Em um mercado que frequentemente celebra trajetórias individuais, a história de MC Soffia lembra que o sucesso também pode ser resultado de uma construção coletiva. E, no caso da artista, essa construção tem rosto, voz e legado de mulheres negras que transformaram cuidado em potência e ancestralidade em futuro.

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Barbara Braga