Moda
Liniker é capa da Vogue e celebra trajetória marcada por liberdade artística
Em entrevista à Vogue Brasil, artista revisita sua trajetória e reforça a importância de permanecer fiel à própria identidade
Há pouco mais de uma década, uma voz vinda do interior de São Paulo começava a chamar a atenção do país. O que inicialmente parecia o surgimento de uma nova artista da cena independente brasileira rapidamente se transformou em um dos movimentos culturais mais importantes da música nacional contemporânea.
Agora, Liniker adiciona mais um capítulo a essa trajetória ao estampar sua primeira capa solo da Vogue Brasil.
A conquista chega em um momento de consolidação artística. Depois de transformar álbuns em fenômenos de público e crítica, acumular premiações importantes e se tornar uma das vozes mais influentes de sua geração, a cantora ocupa um dos espaços mais simbólicos da cultura e da moda brasileira.
Na entrevista que acompanha a edição, Liniker revisita diferentes momentos de sua caminhada. Da adolescência em Araraquara aos anos de formação na Escola Livre de Teatro de Santo André, a artista relembra os desafios enfrentados antes de alcançar reconhecimento nacional. Também fala sobre os primeiros anos de carreira com Liniker e os Caramelows, o impacto do EP Cru e o sucesso de “Zero”, canção que ajudou a apresentar sua arte para milhões de brasileiros.
Mas a conversa vai além da nostalgia.
Liniker também reflete sobre independência artística, um tema que atravessa toda a sua trajetória. Mesmo diante do interesse de grandes gravadoras ao longo dos anos, a cantora optou por preservar o controle sobre sua produção musical e seu trabalho autoral, uma escolha que ajudou a moldar a identidade de sua carreira.
Outro ponto que chama atenção é a forma como a artista aborda o peso de ser constantemente tratada como pioneira. Ao longo dos anos, Liniker se tornou referência para milhares de pessoas negras, LGBTQIAPN+ e periféricas. Ainda assim, ela destaca a importância de ser reconhecida também em sua dimensão humana, para além dos símbolos e das projeções criadas pelo público.
Essa reflexão ajuda a explicar por que sua presença na capa da Vogue Brasil vai além de uma conquista individual.
Ela representa uma geração de artistas que ampliou os limites da música brasileira, levando para o centro do debate cultural narrativas que historicamente estiveram à margem. Uma geração que transformou a independência em potência criativa e que ajudou a construir novos imaginários sobre quem pode ocupar espaços de destaque na cultura nacional.




