18 de setembro de 2026

Representatividade

Artistas baianos levam samba de roda, dança afro e fotografia para intercâmbio cultural em Moçambique

Ações acontecem entre os dias 17 e 25 de setembro com exposição, recital e show-performance

Barbara Braga | 17/09/2026
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- Crédito: Imagem de Divulgação

A cultura afro-baiana atravessa o Atlântico neste mês de setembro. Em Maputo, artistas e pesquisadores negros da Bahia participam de uma programação que reúne samba de roda, dança afro, fotografia e atividades formativas em um intercâmbio voltado ao fortalecimento das conexões entre Brasil e Moçambique.

A iniciativa integra o projeto Síbí Dúdú – Ponte Entre Gerações Brasil–Moçambique e reúne apresentações musicais, dança, fotografia e atividades formativas que colocam em diálogo experiências negras construídas em diferentes lados do oceano. Mais do que levar produções culturais brasileiras para o continente africano, a proposta é promover um encontro entre histórias que compartilham raízes, referências e modos de existir.

A programação acontece no Instituto Guimarães Rosa, em Maputo, e reúne artistas com trajetórias ligadas à preservação e à valorização das culturas afro-brasileiras. Entre eles estão o músico e pesquisador Luan Sodré, os percussionistas Dainho Xequerê e Nego Zoom, os gestores culturais Alisson Lima e Cléber Xavier, além dos artistas da dança Hugo Martins, Rainha Lorena Xavier e Rainha Vânia Oliveira, nomes que carregam consigo parte importante da memória cultural negra produzida na Bahia.

Um dos destaques da programação é a exposição “Bahia, África do Lado de Cá”, com curadoria de Davi Sol. A mostra reúne imagens que atravessam terreiros, rodas de samba, manifestações religiosas e espaços de celebração popular para revelar como a presença africana continua viva no cotidiano baiano.

As fotografias registram corpos, movimentos, instrumentos e territórios que ajudam a contar uma história muitas vezes invisibilizada: a de que a Bahia não apenas preserva heranças africanas, mas segue produzindo cultura a partir delas.

O samba de roda como linguagem de ancestralidade

Também integra a programação o espetáculo “Síbí Dúdú – Samba de Roda da Bahia”, que leva para Moçambique uma das expressões culturais mais importantes da história afro-brasileira. Reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, o samba de roda ocupa um lugar central na construção da identidade cultural baiana.

Mais do que música ou dança, trata-se de uma manifestação que reúne memória, oralidade, espiritualidade e transmissão de conhecimento entre gerações. Em Maputo, o espetáculo propõe um encontro entre essas tradições e as referências culturais moçambicanas, reafirmando a força das conexões afro-diaspóricas.

Novas sonoridades sem romper com as raízes

A programação inclui ainda o recital “Trama”, apresentado por Luan Sodré, músico, compositor e pesquisador que tem dedicado sua trajetória ao estudo das musicalidades afro-baianas.

O trabalho estabelece diálogos entre o samba de roda, a música popular brasileira e sonoridades contemporâneas, mostrando que tradição e inovação não caminham em direções opostas. Pelo contrário: é justamente a partir das raízes que novas linguagens continuam sendo criadas.

Imagem de Divulgação

Ao longo da programação, oficinas gratuitas de dança, música e cultura afro-brasileira também serão oferecidas ao público moçambicano. Mas a proposta vai além da ideia de ensinar.

Os organizadores destacam que o intercâmbio foi pensado como um espaço de troca horizontal, no qual artistas brasileiros compartilham experiências ao mesmo tempo em que aprendem com os saberes produzidos em Moçambique. A escuta, o diálogo e o reconhecimento mútuo aparecem como elementos centrais da iniciativa.

Em um momento em que cada vez mais artistas negros têm buscado fortalecer conexões entre diferentes territórios da diáspora, projetos como o Síbí Dúdú – Ponte Entre Gerações Brasil–Moçambique ajudam a lembrar que a cultura continua sendo uma das formas mais poderosas de atravessar fronteiras.

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Barbara Braga