13 de outubro de 2026

Educação

Arte também educa: seminário debate caminhos para uma educação antirracista

Realizado em São Paulo, encontro reuniu reflexões sobre memória, representatividade negra, história da arte e práticas pedagógicas comprometidas com uma educação antirracista

Barbara Braga | 13/10/2026
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- Crédito: @institutoteart

Como a arte pode contribuir para transformar a forma como a história da população negra é ensinada, lembrada e apresentada dentro e fora das salas de aula?

Essa foi uma das discussões presentes no seminário “Práticas Pedagógicas Antirracistas nos Espaços de Educação e Arte”, realizado em 12 de setembro de 2026, em São Paulo.

Voltado principalmente a professores da rede pública, além de educadores, artistas, profissionais da cultura e agentes de diferentes espaços de formação, o encontro promoveu diálogos sobre arte, educação, memória, representatividade negra e práticas pedagógicas antirracistas.

A programação reuniu mesas de conversa, relatos de experiências, partilhas artísticas, contação de histórias e debates sobre educação museal, mediação cultural, produção artística negra e o papel da educação na construção de novas perspectivas sobre a história brasileira.

Arte como ferramenta para compreender a história

Entre os participantes esteve Claudinei Roberto da Silva, curador, professor e artista visual com trajetória em importantes instituições da arte brasileira e integrante do conselho curatorial do MAM São Paulo.

Em sua participação, Claudinei propôs uma reflexão sobre como a própria história da arte brasileira permite acompanhar os avanços das lutas sociais protagonizadas pela população negra e por outros grupos historicamente marginalizados.

A discussão também colocou em evidência o papel dos museus, centros culturais e demais espaços de arte como territórios capazes de revisitar histórias, questionar narrativas consolidadas e ampliar o repertório de professores, estudantes e do público em geral.

Educação antirracista para além da sala de aula

Um dos pontos centrais do seminário foi justamente compreender que a educação antirracista não está restrita ao ambiente escolar.

Museus, exposições, produções artísticas, livros, histórias, arquivos e manifestações culturais também participam da construção de conhecimento e da forma como diferentes grupos são representados na sociedade.

Ao aproximar profissionais da educação formal e não formal, instituições culturais e agentes da produção artística contemporânea, o encontro buscou incentivar novas possibilidades de ensino e aprendizagem.

A iniciativa também dialoga com as Leis 10.639/2003 e 11.645/2008, que estabeleceram a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira, africana e indígena na educação brasileira.

Formação, memória e representatividade

Mais do que inserir novas referências no currículo, os debates realizados durante o seminário apontaram para a necessidade de rever quais histórias ocupam o centro da educação, quais conhecimentos foram historicamente invisibilizados e de que maneira professores e instituições podem desenvolver práticas comprometidas com a diversidade e com o enfrentamento ao racismo.

O seminário teve entre seus objetivos fortalecer práticas pedagógicas antirracistas, ampliar a formação continuada de educadores, estimular a arte como instrumento crítico para a leitura do mundo e promover a troca de experiências entre diferentes espaços de educação e cultura.

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Barbara Braga