23 de setembro de 2026

Educação

Primeiro emprego também precisa ser lugar de cuidado: UNICEF e NIVEA lançam guia sobre saúde mental de jovens

Publicação reúne orientações para empresas criarem ambientes de trabalho mais seguros, acolhedores e saudáveis para adolescentes e jovens

Barbara Braga | 23/09/2026
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- Crédito: UNICEF/BRZ/Italo Silva

Entrar no mercado de trabalho costuma ser apresentado como um momento de conquista. Para muitos adolescentes e jovens, é o início da independência financeira, a primeira experiência profissional e também uma oportunidade de transformar planos em projetos de vida. Mas existe uma dimensão dessa entrada que nem sempre recebe a mesma atenção: como esse ambiente de trabalho impacta a saúde mental de quem está começando?

É a partir dessa discussão que o UNICEF, em parceria estratégica com a NIVEA, lançou nesta terça-feira (22) o “Guia de Promoção da Saúde Mental de Jovens no Setor Privado”.

A publicação é voltada a empresas, gestores, lideranças e profissionais e reúne dados, reflexões, experiências e orientações práticas para ajudar organizações a construírem ambientes mais seguros, acolhedores, inclusivos e saudáveis para adolescentes e jovens.

O material foi desenvolvido dentro da iniciativa 1 Milhão de Oportunidades (1MiO), do UNICEF, e parte de uma compreensão importante: preparar uma juventude para o mundo do trabalho não significa apenas ensinar competências técnicas.

Também envolve criar condições para que esses jovens possam se desenvolver, construir vínculos, exercer sua autonomia e ter acesso a redes de proteção e cuidado.

O Brasil tem mais de 48,5 milhões de pessoas entre 15 e 29 anos, cerca de um quarto da população. Ao mesmo tempo em que essa parcela representa uma força importante para a inovação, a criatividade e o desenvolvimento do país, os dados apontam para desafios relacionados ao bem-estar emocional das juventudes.

Segundo dados recentes da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), do IBGE, citados pelo UNICEF, quase metade dos jovens apresenta sintomas frequentes de sofrimento emocional. Mais de 18% relatam sentir que a vida “não vale a pena”.

Nesse cenário, o mundo do trabalho não pode ser visto como um espaço separado dessa realidade.

A entrada em uma empresa pode significar novas relações, responsabilidades, cobranças e expectativas. Dependendo das condições encontradas, essa experiência pode contribuir para o desenvolvimento e para o senso de pertencimento — ou ampliar situações de insegurança e sofrimento.

O próprio guia chama atenção para fatores como insegurança psicológica, relações nocivas e vínculos instáveis, que podem aumentar riscos psicossociais e afetar o bem-estar, o engajamento e o desenvolvimento profissional.

Por outro lado, ambientes positivos podem contribuir para o fortalecimento da autoestima, da autonomia e dos projetos de vida.

A discussão não envolve apenas uma questão individual. O impacto da saúde mental também chega às organizações e à sociedade.

De acordo com dados do Ministério da Previdência Social citados pelo UNICEF, mais de 546 mil afastamentos do trabalho foram registrados no Brasil em 2025 em razão de sofrimento emocional e transtornos mentais.

Em escala global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que problemas relacionados à saúde mental provoquem cerca de US$ 1 trilhão em perdas de produtividade por ano.

Os números ajudam a mostrar que falar sobre saúde mental no trabalho não significa apenas discutir benefícios ou ações pontuais de bem-estar. A questão envolve também a maneira como as organizações estruturam relações, ambientes, processos de acolhimento e oportunidades de desenvolvimento.

Para adolescentes e jovens que estão dando os primeiros passos profissionais, essa construção ganha uma importância ainda maior.

O que as empresas podem fazer?

O novo guia procura justamente transformar essa discussão em ações práticas.

Entre os temas abordados estão os fatores de risco e proteção para a saúde mental, a escuta ativa, o pertencimento, o desenvolvimento socioemocional e a segurança psicológica.

A proposta é apoiar empresas na identificação de situações que podem afetar negativamente adolescentes e jovens e, ao mesmo tempo, estimular a criação de estratégias de cuidado e proteção.

Não se trata apenas de oferecer apoio quando uma situação de sofrimento já aconteceu. A ideia também passa pela construção de uma cultura organizacional capaz de acolher, escutar e criar condições para que os jovens possam se desenvolver.

Nesse sentido, gestores e lideranças têm um papel importante na criação de relações profissionais baseadas em respeito, diálogo e segurança.

Juventude também participou da construção do guia

Outro ponto da publicação é a forma como ela foi construída.

O material incorporou contribuições de jovens e representantes do setor privado a partir de sessões de escuta e formação realizadas entre maio e julho, na sede da NIVEA, em São Paulo.

A participação busca aproximar as orientações apresentadas no guia das experiências concretas de quem está vivendo a transição para o mundo do trabalho.

A iniciativa também está relacionada à atuação do 1 Milhão de Oportunidades, plataforma do UNICEF que reúne diferentes atores para ampliar oportunidades de formação, trabalho decente e participação cidadã para adolescentes e jovens.

Serviço

O “Guia de Promoção da Saúde Mental de Jovens no Setor Privado” foi lançado pelo UNICEF, com parceria estratégica da NIVEA, no âmbito da iniciativa 1 Milhão de Oportunidades (1MiO).

A publicação é destinada a empresas, gestores, lideranças e profissionais interessados em fortalecer práticas de cuidado e proteção para adolescentes e jovens no mundo do trabalho.

O material completo está disponível gratuitamente nos canais do UNICEF, acesse aqui.

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Barbara Braga