29 de setembro de 2026

Entrevistas

Africanize estreia Black Desk com episódios em parceria com a L’Oréal sobre beleza negra, inovação e mercado

Primeiro episódio do novo programa da Africanize reúne ciência, comunicação e mercado para discutir como diversidade pode orientar produtos, negócios e novas oportunidades para profissionais negros

Barbara Braga | 29/09/2026
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- Crédito: (Foto/Imagem/Reprodução: Coruja Urbano)

A Africanize estreia o Black Desk, novo programa no YouTube criado para ampliar conversas e narrativas sobre a população negra a partir de diferentes perspectivas, conectando cultura, mercado, comportamento, inovação e sociedade.

No primeiro episódio, produzido em parceria com a L’Oréal Brasil, o programa propõe um debate sobre beleza negra, ciência, consumo e economia criativa, colocando no centro da conversa profissionais que atuam em diferentes áreas e ajudam a transformar esses setores.

Mediado por Rízia Cerqueira, o encontro reúne Loana Coelho, diretora de Marketing Digital, Influência e CRM do Grupo L’Oréal no Brasil; Lívia Rodrigues, coordenadora de valorização científica da companhia; e Roger Cipó, comunicador, fotógrafo e criador do podcast Todo Dia História Negra.

(Foto/Imagem/Reprodução: Coruja Urbano)

Mais do que falar sobre representatividade, o episódio discute quem participa das decisões, quem desenvolve produtos, quem movimenta conversas e quem tem acesso às oportunidades geradas por um mercado em transformação.

Ao colocar profissionais negros de diferentes áreas em uma mesma mesa, o Black Desk parte de experiências pessoais para chegar a uma discussão mais ampla: de que maneira a diversidade pode estar presente não somente na comunicação das empresas, mas também na ciência, na pesquisa, no desenvolvimento de produtos e na distribuição de oportunidades.

Durante o episódio, Lívia Rodrigues destaca a importância de incorporar diferentes vivências desde o início dos processos de inovação. Para a cientista, diversidade não deve surgir apenas como uma etapa de adaptação de um produto já desenvolvido, mas como ponto de partida para a pesquisa.

Essa perspectiva ganha ainda mais relevância diante da diversidade da população brasileira. Segundo Lívia, dos 66 tons de pele já mapeados pela L’Oréal globalmente, 55 estão presentes no Brasil, assim como os oito tipos de cabelo considerados nos estudos da companhia.

A conversa também desloca a representatividade do campo exclusivamente simbólico para o econômico.

Loana Coelho ressalta que diversidade, equidade e inclusão estão diretamente relacionadas às oportunidades de negócio no país. Durante o Black Desk, a executiva afirma que o mercado consumidor negro movimenta quase R$ 2 trilhões e reforça que essa população não deve ser tratada apenas como um “potencial” de consumo, mas como uma realidade econômica que precisa ser considerada pelas empresas.

É justamente nesse encontro entre comportamento, cultura, consumo e mercado que a Africanize vem ampliando sua atuação.

Ao longo de sua trajetória, a plataforma construiu uma relação direta com uma comunidade que historicamente teve suas experiências sub-representadas pela mídia tradicional. Com o Black Desk, essa experiência editorial ganha um novo formato e passa a abrir espaço para conversas aprofundadas sobre temas que atravessam a vida, o trabalho e o futuro da população negra.

Mais do que ocupar espaços de publicidade, a Africanize busca construir narrativas capazes de colocar a população negra no centro das discussões sobre inovação, consumo, cultura e geração de valor.

A creator economy também ocupa parte importante do primeiro episódio.

Segundo Loana, existe hoje uma diferença entre a presença da população negra no país e sua participação entre criadores de conteúdo. A executiva aponta ainda a necessidade de ampliar não apenas a representatividade, mas também a formação e profissionalização desses profissionais.

Esse debate se conecta ao programa Beleza Mais Diversa, iniciativa apresentada durante o episódio que combina formação e oportunidades para criadores negros. Em sua terceira edição, o projeto prevê a seleção de dez criadores para um ano de contrato com a companhia.

(Foto/Imagem/Reprodução: Grupo L’Oréal/Divulgação/Bússola) 

Ao reunir diferentes perspectivas em uma mesma mesa, Africanize e L’Oréal mostram que falar sobre diversidade no Brasil também significa falar sobre pesquisa, desenvolvimento, investimento, formação profissional e acesso ao mercado.

Para a Africanize, a estreia do Black Desk reforça uma atuação que vai além da cobertura cultural: transformar conhecimento sobre a comunidade negra em conteúdo, diálogo e conexão entre sociedade e mercado.

“Essa parceria com a L’Oréal é muito simbólica para a Africanize porque existe uma conexão real de propósito. Ao longo dos últimos anos, acompanhamos poucas grandes empresas tratarem a diversidade de forma tão contínua, indo além da comunicação e levando essa discussão também para produto, ciência, mercado e geração de oportunidades. O Black Desk nasce justamente para aprofundar conversas como essa, conectando marcas que estão dispostas a construir mudanças com as narrativas, experiências e demandas da população negra. Ter a L’Oréal ao nosso lado nesse primeiro episódio reforça o tipo de parceria que queremos construir: com troca, escuta e compromisso de longo prazo.” reforçou Wanessa, Ceo da Africanize.

O episódio com a L’Oréal inaugura uma série de conversas que pretende trazer novas narrativas sobre a população negra e aprofundar discussões sobre os caminhos que estão redesenhando sua presença na comunicação, na economia criativa, na ciência, na cultura e nos espaços de decisão.

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Barbara Braga