24 de agosto de 2026

Música

A noite é dela: Budah estreia “Frequência Lunar” em show marcado por liberdade e protagonismo feminino

Segundo álbum da cantora ganha vida nos palcos em espetáculo que mistura rap, R&B, pop e referências da cultura noturna

Barbara Braga | 24/08/2026
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- Crédito: @budah

A noite paulistana ganhou uma nova frequência no sábado (22). No Cine Joia, na região da Liberdade, em São Paulo, Budah deu início à turnê de Frequência Lunar, seu segundo álbum de estúdio, em uma apresentação que transformou o universo noturno do disco em experiência ao vivo.

Com uma atmosfera que transitou entre rap, R&B, pop e música eletrônica, o show apresentou ao público uma Budah ainda mais conectada à pista, à dança e à liberdade de experimentar diferentes sonoridades. A estreia também marcou um novo capítulo na trajetória da artista capixaba, que vem ampliando seu espaço na música urbana brasileira.

Lançado em maio, Frequência Lunar reúne 14 faixas e conta com participações de nomes como IZA, Pabllo Vittar, Duquesa, Tasha & Tracie, AJULIACOSTA, Vita e Franco e The Sir!. O álbum nasceu de uma proposta diferente daquela apresentada por Budah em Púrpura, seu trabalho anterior: se antes a artista mergulhava em uma atmosfera mais introspectiva, agora a noite aparece como espaço de encontro, desejo, diversão e descoberta.

E foi justamente essa transformação que chegou ao palco.

Uma nova frequência para Budah

Durante a apresentação, Budah percorreu as diferentes camadas de Frequência Lunar e também revisitou músicas de “Púrpura”, criando uma ponte entre as duas fases de sua carreira. O resultado foi um espetáculo que não se limitou a reproduzir o álbum. As músicas ganharam corpo, movimento e novas possibilidades no palco, acompanhando a proposta de um projeto construído para ser vivido durante a madrugada.

A artista já havia definido Frequência Lunar como um trabalho sobre viver a noite, dançar, se divertir e celebrar os encontros. No show, essa ideia deixou de ser apenas conceito e passou a fazer parte da experiência do público. Entre batidas dançantes e momentos mais intimistas, Budah colocou em cena temas que atravessam o álbum, como autonomia afetiva, liberdade, desejo e protagonismo feminino.

@rafaelaurbanin | @budah

Uma das marcas de Frequência Lunar é justamente a liberdade para não permanecer dentro de uma única caixinha.

O álbum passeia por rap, R&B, boombap, drill, ragga, house e pop, e essa mistura também aparece na construção do show. A apresentação reforça a capacidade de Budah de transitar por diferentes linguagens sem abandonar as referências que construíram sua identidade artística.

A cantora faz parte de uma geração que vem ampliando as possibilidades do rap feito por mulheres negras no Brasil, ao lado de nomes como Duquesa, Tasha & Tracie, AJULIACOSTA, MC Luanna e outras artistas que vêm ocupando cada vez mais espaço na música. Nesse cenário, a estreia da turnê também funciona como uma afirmação de que mulheres negras podem ocupar diferentes lugares dentro da música urbana, da rima à pista de dança, do R&B ao pop, da vulnerabilidade à celebração.

A noite também é território de liberdade

Existe uma palavra que atravessa Frequência Lunar: liberdade. Liberdade para desejar, para dançar, para se relacionar, para experimentar sons e para construir a própria narrativa.

Essa perspectiva ganha uma dimensão ainda maior quando colocada a partir de uma artista negra. Ao transformar a noite em território de prazer e autonomia, Budah também se distancia de representações que frequentemente colocam mulheres negras em lugares limitados dentro da cultura.

No palco, a cantora ocupa esse espaço sem pedir licença. Ela canta, dança, performa e conduz a própria narrativa, mostrando uma mulher que não precisa escolher entre força e vulnerabilidade, entre rap e pop, entre introspecção e festa.

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Barbara Braga